Fim da obrigatoriedade da autoescola pode gerar economia de R$ 9 bi ao ano - Brasa Noticias
Fim das autoescolas - Imagem: Reprodução.

Fim da obrigatoriedade da autoescola pode gerar economia de R$ 9 bi ao ano

O projeto do governo federal que propõe acabar com a exigência de frequentar autoescolas (CFCs) para obter a CNH nas categorias A (motos) e B (carros) tem gerado ampla repercussão na sociedade e no setor de trânsito.

Apresentado pelo Ministério dos Transportes e ainda em análise na Casa Civil, o modelo opcional promete reduzir o custo da habilitação em até 80%, o que representa uma economia estimada em R$ 9 bilhões por ano para os brasileiros.

O que muda com a proposta do fim das autoescolas?

Atualmente, o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/1997) exige que o candidato a motorista faça um curso teórico (mínimo de 45 horas-aula) e prático (mínimo de 20) em autoescolas reguladas pelo Contran.

Além disso, o processo inclui exames médicos, teóricos e práticos. Com o novo modelo, somente os exames — físico, mental, teórico e prático conduzidos pelo Detran — permanecem obrigatórios. O curso teórico e as aulas práticas se tornam facultativos.

Inspirado em práticas adotadas em países como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Uruguai, o modelo dá mais liberdade ao candidato, que poderá estudar sozinho, usar simulador ou contar com instrutor autônomo credenciado. O modelo tradicional das autoescolas continua acessível, mas deixa de ser obrigatório.

Impacto nos custos e inclusão

Segundo o governo federal, o valor médio para tirar a CNH é de R$ 3.215, dos quais cerca de R$ 2.469 correspondem às aulas ministradas pela autoescola.

Ao retirar essa obrigatoriedade, o valor poderia cair em até 80%, reduzindo o custo para pouco mais de R$ 600. Esse corte levaria a uma economia estimada em R$ 9 bilhões por ano, ao aliviar o peso financeiro sobre os milhões de brasileiros em idade de dirigir.

Essa política tem sido encarada como forma de democratizar o acesso à habilitação, especialmente entre jovens, moradores de comunidades e famílias de baixa renda.

O ministro Renan Filho afirma que uma CNH mais acessível implica maior formalização no mercado de trabalho e também mais segurança no trânsito, já que muitos condutores atualmente dirigem sem habilitação.

Reação do setor das autoescolas

As autoescolas e entidades representativas demonstram preocupação. A Feneauto — Federação Nacional das Autoescolas — alerta que a mudança pode provocar fechamento de mais de 15 mil CFCs e perda de até 300 mil empregos, além de reduzir drasticamente a educação formal no trânsito.

A Associação Nacional dos Detrans (AND) também expressa cautela, alegando que qualquer mudança deve preservar a qualidade da formação dos novos motoristas, evitando riscos à segurança viária.

O advogado Márcio Dias reforça o alerta de que a parte prática da direção, se não bem conduzida, pode elevar os índices de acidentes. Contudo, o ministro Renan Filho defende que a formalização e acesso à habilitação devem reduzir esse risco.

Panorama histórico e legislativo

Historicamente, o Brasil já adotou um modelo sem autoescolas obrigatórias. Até 1997, bastava ser aprovado numa prova teórica para iniciar as aulas práticas, sem carga horária mínima obrigatória — modelo vigente até a promulgação do atual CTB em 1998. Desde então, a exigência passou a ser regulada por resoluções do Contran.

No Legislativo, projetos de lei como o PL 4474/2020, de autoria do deputado Kim Kataguiri, tramitam com propostas semelhantes de tornar facultativa a formação via autoescolas. Esses projetos se complementam e indicam um debate político mais amplo sobre a regulamentação da CNH no Brasil.

Principais pontos da proposta

Elemento Situação atual Proposta do governo
Curso teórico Obrigatório (45h) Facultativo
Curso prático Obrigatório (20h) Facultativo
Simuladores ou veículos adaptados Exigidos Não obrigatórios
Credenciamento Apenas via autoescolas Instrutores autônomos credenciados permitidos
Provas teórica, física e prática Realizadas pelo Detran Mantidas

O fim da obrigatoriedade da autoescola para obtenção da CNH A e B representa uma mudança significativa que pode reduzir em até 80% os custos para o candidato, com economia estimada em R$ 9 bilhões ao ano.

Além de estimular a inclusão e facilitar o acesso ao mercado de trabalho, a proposta repensa o modelo tradicional de formação de condutores no Brasil.

Embora respeite os exames obrigatórios do Detran, o modelo desperta resistência do setor de autoescolas, que teme impactos fortes no emprego e na qualidade da formação.

A proposta ainda está em fase de tramitação e será regulamentada por resolução do Contran, após avaliação política da Casa Civil.

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Welbert Lucas de Oliveira
Welbert Lucas de Oliveira

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