Economia de Minas Gerais: Crescimento Lento até 2027, Impulsionado por Serviços e Agro, mas com Riscos Climáticos

Economia mineira desacelera, mas mantém crescimento positivo até 2027

A economia de Minas Gerais deve registrar um crescimento mais moderado nos próximos anos, com projeções de 1,2% em 2026 e 0,8% em 2027. Essa desaceleração acompanha o cenário macroeconômico brasileiro, mas mantém um viés positivo, segundo um estudo do departamento econômico do banco Santander. As projeções consolidam dados do Produto Interno Bruto (PIB) regional do IBGE para o quadriênio 2024-2027.

O setor de serviços, especialmente o varejo, tem se destacado em Minas Gerais, apresentando bom desempenho nos últimos anos e impulsionando a atividade econômica. O agronegócio, apesar de ter enfrentado resultados abaixo da média nacional em anos anteriores, mostra tendência de recuperação, com projeções de crescimento de 2,5% em 2026 e 1,8% em 2027, superando a média nacional. Já a indústria prevê altas de 1,1% em 2026 e 0,8% em 2027.

Gabriel Couto, economista do Santander e coautor do estudo, ressalta que a política monetária restritiva ainda impacta a indústria, mas o dinamismo do setor de serviços e a resiliência do agro são pontos fortes. Ele aponta que fatores nacionais e eventos climáticos, como a possibilidade do fenômeno El Niño, representam os principais riscos para o cenário projetado, podendo alterar os padrões de chuva e temperatura.

Crescimento moderado e desafios futuros

Apesar da desaceleração prevista a partir de 2026, o economista destaca que a expansão econômica em Minas Gerais deve ser disseminada. O principal desafio para o futuro será a busca por maior consistência no crescimento, em um contexto de heterogeneidade regional e sensibilidade a choques climáticos e financeiros. A evolução da atividade econômica regional continuará a refletir tanto fatores nacionais quanto eventos climáticos.

Especialistas concordam com projeções cautelosas

As expectativas de Gabriel Couto para o crescimento da economia mineira em 2026 são semelhantes às projeções de Raimundo Sousa, economista da Fundação João Pinheiro e professor da PUC Minas. Sousa acredita em um crescimento em torno de 1,4% para o PIB mineiro em 2026, mas considera improvável que o estado fique acima da média nacional.

Ele aponta que o cenário externo não oferece grandes estímulos, com o acordo Mercosul-União Europeia com resultados a longo prazo e a economia chinesa em processo de desaceleração. A instabilidade geopolítica global também gera incertezas para a integração comercial. As decisões de investimento das empresas estão em compasso de espera, o que limita um impulso robusto para a economia.

Expansão contínua, mesmo em ritmo menor

Em resumo, o cenário econômico atual não é o ideal, mas a projeção é de expansão contínua das atividades, mesmo que em menor ritmo. Essa perspectiva é considerada positiva, especialmente quando comparada a cenários de estagnação ou recessão. O setor de serviços e o agronegócio são vistos como pilares importantes para manter o dinamismo da economia mineira nos próximos anos, embora os riscos climáticos demandem atenção.

Botão Voltar ao topo