Dólar em Queda: Acordo EUA-Irã Impulsiona Real e Petróleo Despenca, Mas Atenção às Eleições Brasileiras em Outubro

Dólar inicia semana em baixa impulsionado por otimismo com Irã, mas cenário interno gera cautela.
O dólar abriu a semana em leve queda frente ao real, refletindo um sentimento de menor aversão ao risco nos mercados internacionais. A expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã tem sido um dos principais fatores por trás dessa movimentação.
A moeda americana, no entanto, manteve-se acima da marca de R$ 5,00 pelo quinto pregão consecutivo. O cenário de menor incerteza global permitiu que divisas emergentes, como o real, ganhassem força no início da sessão.
A liquidez reduzida nos mercados, devido ao feriado do Memorial Day nos Estados Unidos, também influenciou o comportamento do câmbio. Conforme informação divulgada pelo Diário do Comércio, a ausência das bolsas americanas e do mercado de títulos do Tesouro dos EUA limitou as oscilações mais bruscas.
Petróleo em Queda Livre com Sinais de Acordo no Oriente Médio
Um dos reflexos mais nítidos do otimismo geopolítico foi a forte queda nas cotações do petróleo. A possibilidade de um acordo para encerrar conflitos e reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota de navegação crucial, impulsionou a desvalorização do barril.
O contrato do petróleo Brent para agosto, por exemplo, fechou em queda expressiva de 6,78%, atingindo US$ 93,42 o barril. Essa retração no preço do petróleo é vista como um fator positivo para o real, pois reduz pressões inflacionárias e melhora o balanço comercial brasileiro.
Declarações de Trump e Expectativas de Acordo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contribuiu para o otimismo ao afirmar que as negociações com o Irã estavam “avançando muito bem”. Relatos de uma autoridade americana indicando um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz reforçaram essa percepção.
Trump também reiterou o compromisso de que o Irã “nunca terá” uma arma nuclear. Essas declarações, embora com nuances, criaram um ambiente de maior esperança por uma resolução pacífica no Oriente Médio, impactando diretamente os mercados globais.
Projeções do Dólar e Influência do Cenário Eleitoral Brasileiro
Apesar do alívio momentâneo, analistas de mercado mantêm a cautela em relação ao comportamento futuro do dólar. Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, projeta o dólar em R$ 5,03 no fim do ano, mas aponta para cenários divergentes.
Em um cenário benigno, com eleições favoráveis à oposição e fim de conflitos, a taxa poderia cair para R$ 4,84. Contudo, em um cenário adverso, com a reeleição de Lula, piora fiscal e extensão de guerras, o dólar poderia atingir R$ 5,24. Ele ressalta a piora nas projeções recentes devido a riscos fiscais, eleições e um dólar global mais forte.
Os economistas Álvaro Frasson e Arthur Mota, do BTG Pactual, projetam o dólar em R$ 5,10 para o final do ano, antecipando uma depreciação do real até outubro devido ao aumento da volatilidade eleitoral. Eles destacam que o real se beneficiou de um fluxo atípico de recursos para emergentes, mas que fatores domésticos, como a proximidade das eleições, podem adicionar maior volatilidade cambial nos próximos meses.
A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, sugere que o dólar pode ficar abaixo de R$ 5,00 no curto prazo se o risco geopolítico diminuir. No entanto, ela lembra que, nas últimas semanas, divisas emergentes sofreram com a alta dos Treasuries e riscos inflacionários associados aos altos preços do petróleo.
A dinâmica do mercado de commodities e sua relação com o real também foi alterada. Anteriormente, a alta do petróleo apreciava o real, mas desde o fim do mês passado, essa correlação se quebrou, com a alta da commodity resultando em perda de força da moeda brasileira. Essa observação reforça a necessidade de acompanhar de perto os movimentos do petróleo, pois novos picos podem reverter o cenário positivo.