Dólar Dispara: FED Duro e Copom Confuso Levam Moeda Americana a R$ 5,17, Pior Desempenho do Real no Mundo

Dólar Atinge Novo Pico e Mercado Reage a Decisões de Política Monetária nos EUA e Brasil

O dólar registrou uma forte alta no mercado brasileiro, fechando o dia cotado a R$ 5,1752. Este movimento acompanha a valorização da moeda americana no cenário internacional, impulsionada pelo tom mais rígido do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, em sua última reunião. Paralelamente, o real apresentou o pior desempenho entre as principais moedas globais.

A desvalorização da moeda brasileira foi acentuada por declarações do Banco Central do Brasil (BCB) divulgadas na noite anterior. A instituição estendeu o horizonte temporal para a política monetária, justificando um novo corte na taxa Selic mesmo com a deterioração das expectativas de inflação. Essa comunicação gerou apreensão entre os investidores.

A percepção de risco geopolítico também diminuiu após um acordo entre Estados Unidos e Irã, o que levou à queda nos preços do petróleo. Como parte da recente valorização do real estava associada a uma melhora nos termos de troca devido ao aumento das commodities, investidores podem estar realizando lucros, desfazendo posições conhecidas como ‘trade do petróleo’. Todas essas informações foram divulgadas pelo Agência Estadão.

Impacto das Decisões do Fed e do Copom no Mercado

O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, apontou o discurso firme do Fed como o principal fator para a queda do real. Ele destacou o compromisso do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, com a estabilidade de preços, o que afastou receios de interferência política na condução da política monetária americana. O Fed mostrou-se mais conservador do que o mercado esperava, com a maioria de seus dirigentes prevendo alta de juros ainda este ano.

Galhardo classificou o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) como ‘confuso’, o que, em sua visão, pode ter contribuído para agravar a desvalorização do real. A decisão do Copom de cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando-a a 14,25%, ocorreu apesar da elevação nas projeções de inflação para o quarto trimestre de 2027, que agora é o horizonte relevante da política monetária, subindo de 3,5% para 3,7%.

Incertezas na Política Monetária Brasileira e suas Consequências

Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, expressou preocupação com o comunicado do Copom, afirmando que ele enfraquece a única âncora que o Brasil possui atualmente: a política monetária. Embora o comitê tenha reconhecido a aceleração da atividade econômica, o efeito dos estímulos e a piora das expectativas de inflação, a decisão de estender o horizonte relevante para o primeiro trimestre de 2028 foi vista como uma contradição à postura mais restritiva.

Na prática, o Copom demonstra desconforto com a desaceleração da atividade necessária para atingir a meta de inflação no prazo original. Essa desaceleração é justamente o mecanismo pelo qual a política monetária restritiva funciona. Srour ressaltou que o custo para ancorar as expectativas de inflação, que já era elevado pela ausência de uma âncora fiscal, tornou-se ainda maior com a comunicação do BCB.

Cenário Global e o Comportamento das Moedas

O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, apresentava alta, atingindo os maiores níveis desde maio de 2025. A libra esterlina também sofreu desvalorização após o Banco da Inglaterra manter sua taxa de juros inalterada. O Dollar Index acumula valorização significativa na semana e no mês de junho.

José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos, comentou que, apesar da queda do risco global com a reabertura de rotas comerciais, a postura mais dura do Fed ditou o ritmo do mercado de moedas. Ele enfatizou a importância de acompanhar o DXY, que ameaça reverter sua tendência de baixa de longo prazo. No Brasil, o Copom com viés mais flexível prejudica o real, e as commodities estão em processo de correção após fortes altas, o que pode adicionar pressão negativa ao real e à bolsa brasileira.

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