Alerta do Citi sobre crédito: Nubank sob os holofotes após rebaixamento e projeções reduzidas

Nubank enfrenta desafios com expansão de crédito, aponta Citi e mercado reage a rebaixamento de ações

O Nubank, gigante latino-americana de serviços financeiros, está no centro das atenções após o banco Citi rebaixar a recomendação de suas ações e reduzir as projeções de lucro. Essa mudança reflete um aumento na percepção de risco do mercado em relação à sustentabilidade do crescimento da fintech, especialmente devido à sua agressiva expansão na carteira de crédito.

Apesar dos resultados robustos e do contínuo aumento de sua base de clientes, o Nubank vê suas estratégias de crescimento serem questionadas. A decisão do Citi, de passar a recomendação de compra para neutra e cortar o preço-alvo dos papéis, sinaliza uma cautela crescente em relação aos rumos da empresa.

O principal ponto de preocupação reside na forma como o Nubank tem expandido sua oferta de crédito e os potenciais efeitos dessa estratégia na qualidade dos ativos e nos resultados financeiros futuros. Conforme o relatório do Citi, a fintech pode estar assumindo riscos maiores em um cenário econômico ainda desafiador, com juros elevados e aumento da inadimplência em certas modalidades de crédito. Essa informação foi divulgada pelo Citi.

Dependência crescente do crédito como motor de receita

O Citi destaca que uma parcela significativa da receita do Nubank já está diretamente ligada às operações de crédito. Aproximadamente 60% da receita média por cliente ativo (ARPAC) da fintech provém dessa área. Isso significa que o crescimento das receitas da empresa depende em grande medida da concessão de novos empréstimos e do uso dos cartões de crédito por seus clientes.

Embora essa estratégia tenha impulsionado os resultados nos últimos anos, ela também aumenta a exposição do Nubank a possíveis dificuldades financeiras de seus consumidores. A concentração em produtos de crédito sem garantia, que representam cerca de 96% das operações da companhia, segundo o Citi, eleva o risco em períodos de desaceleração econômica ou queda na renda das famílias.

Crédito consignado privado: um ponto de atenção para o Nubank

Um dos focos de preocupação do Citi é o crescimento do crédito consignado privado no Brasil. Essa modalidade, que teve seu volume impulsionado por mudanças regulatórias, permite o desconto das parcelas diretamente da folha de pagamento do trabalhador, o que geralmente a torna menos arriscada que outras formas de empréstimo.

No entanto, o Citi aponta um risco pouco precificado pelo mercado: ao comprometer parte da renda antes mesmo de ela chegar à conta, o crédito consignado privado pode reduzir a capacidade do tomador de honrar outras dívidas. Isso pode levar a um aumento na inadimplência de produtos como cartões de crédito e empréstimos pessoais, áreas onde o Nubank tem forte concentração.

Em comparação, bancos tradicionais possuem uma carteira mais diversificada, com maior presença em financiamentos imobiliários e crédito consignado, modalidades consideradas mais seguras. Essa diferença expõe o Nubank a desafios maiores caso a inadimplência nessas linhas de crédito sem garantia aumente.

Redução nas projeções de lucro e incertezas na diretoria

Diante desse cenário, o Citi revisou suas projeções financeiras para o Nubank, reduzindo as estimativas de lucro para 2026 e 2027. As novas projeções indicam um crescimento mais moderado do que o esperado anteriormente, com um lucro estimado de US$ 3,7 bilhões para 2026 e US$ 4,4 bilhões para 2027.

As incertezas também foram aumentadas por uma recente mudança na diretoria financeira da empresa. A saída do diretor financeiro Guilherme Lago e a nomeação de Rob Livingston, com experiência internacional, geraram cautela no mercado, especialmente em um momento crucial de expansão para a fintech.

Posicionamento do Nubank e cenário geral do setor

Em resposta às preocupações, o CEO do Nubank, David Vélez, procurou tranquilizar os investidores. Ele afirmou que o aumento das provisões para perdas não indica uma deterioração da carteira, mas sim uma postura mais conservadora em relação ao crédito consignado privado, citando índices iniciais de inadimplência de 10% a 15% em algumas operações do mercado.

É importante notar que a preocupação com a qualidade do crédito não é exclusiva do Nubank. Grandes instituições financeiras no Brasil também têm ampliado suas provisões e monitorado de perto o comportamento do consumidor, diante de fatores como juros altos, inflação e endividamento das famílias. A qualidade das carteiras de crédito se tornou um indicador crucial para investidores e analistas.

Para os clientes, a recomendação do Citi não deve gerar impacto direto nas operações do dia a dia. Para os investidores, contudo, o movimento serve como um sinal de alerta sobre os desafios inerentes ao crescimento acelerado. O mercado agora observará atentamente a capacidade do Nubank em equilibrar expansão, rentabilidade e qualidade do crédito nos próximos trimestres, um fator determinante para o futuro da instituição e suas ações.

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