Dólar dispara com Trump e Irã: Moeda americana volta a subir e se aproxima de R$ 5,20 com tensão global

Dólar volta a subir com ameaça de Trump ao Irã e fecha perto de R$ 5,20
O dólar apresentou uma alta moderada nesta quinta-feira (20), acompanhando o desempenho da moeda americana no mercado internacional. Apesar da valorização, a divisa fechou abaixo da marca de R$ 5,20, mas manteve a tendência de alta na semana e no mês, acumulando perdas no ano.
A declaração de “guerra econômica” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã foi o principal gatilho para a nova escalada do petróleo e a consequente redução do apetite por risco nos mercados globais. Esse cenário reverteu o otimismo que marcou a sessão anterior, quando o Tesouro americano anunciou medidas para recompra de títulos de longo prazo.
O dólar à vista atingiu uma máxima de R$ 5,2019 no fim da manhã e encerrou o dia com uma valorização de 0,32%, cotado a R$ 5,1933. Na semana, a moeda acumula alta de 2,16%, e no mês, o avanço é de 2,42%. No entanto, no acumulado do ano, o dólar ainda registra perdas de 5,39% frente ao real.
Cenário global dita o câmbio, mas eleições brasileiras pesam
Segundo Guilherme Loureiro, diretor de investimentos da Monte Bravo, o cenário global tem sido o principal fator determinante para o comportamento do dólar nas últimas sessões. Ele destaca que, apesar de um incômodo com as taxas dos Treasuries, o que é mais uma questão política do que de solvência dos EUA, a grande preocupação reside no impacto da guerra na inflação global.
Embora o real tenha acompanhado, em linhas gerais, o desempenho de outras moedas emergentes recentemente, a divisa brasileira figura como a de pior desempenho entre as mais líquidas em agosto. Isso se deve, em parte, à redução da exposição de investidores estrangeiros a ativos domésticos nas primeiras semanas do mês, intensificada pela sensibilidade do investidor à corrida presidencial no Brasil.
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, ressalta que, em um dia de agenda doméstica esvaziada, o câmbio é majoritariamente influenciado pelo cenário externo. A escalada entre EUA e Irã trouxe de volta a cautela aos mercados, e a preocupação com as eleições presidenciais no Brasil contribui para pressionar ainda mais o real.
Petróleo em alta e sanções americanas contra o Irã
As cotações do petróleo responderam à escalada geopolítica com avanços superiores a 2%, com o barril de Brent para outubro sendo negociado na faixa de US$ 93. A tensão aumentou após Trump anunciar, na noite de quarta-feira, medidas econômicas “sem precedentes” contra o Irã, prometendo intensificar a pressão sobre países e empresas que mantivessem relações comerciais com Teerã.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que os iranianos enfrentarão “as sanções mais duras da História”, mas ponderou que a probabilidade de retomada de ataques é baixa. A possibilidade de restabelecimento do fluxo pelo Estreito de Ormuz e a consequente queda do preço do petróleo poderiam influenciar o Federal Reserve a não elevar os juros neste ano, levando a um dólar mais fraco globalmente. Contudo, a incerteza sobre a ação do Fed permanece.
Projeções para o dólar variam com cenário externo e eleições
As projeções para o dólar no fim do ano divergem. Em um cenário otimista, com um ambiente externo de enfraquecimento da moeda americana e um desfecho eleitoral que aponte para ajuste fiscal no Brasil, o dólar poderia ficar entre R$ 4,50 e R$ 4,75. Em contrapartida, um cenário mais pessimista, combinando piora externa com estresse fiscal doméstico, poderia levar a taxa de câmbio a superar os R$ 6,00, podendo atingir R$ 6,50.
Uma terceira hipótese, que considera um cenário global benigno, mas uma deterioração do risco-país após as eleições, projeta que o dólar oscilaria entre R$ 5,75 e R$ 6,00. As informações foram divulgadas pela Agência Estadão, com reportagem de Antonio Perez.