Defesa, Minerais Críticos e Soberania Digital: Os 6 Desafios da Política Externa Brasileira em 2024 Revelados!

Defesa se torna ponto nevrálgico na política externa brasileira, com seis desafios urgentes para 2030

A área de defesa desponta como um dos principais desafios da política externa brasileira nos próximos anos, exigindo atenção redobrada diante de um cenário internacional de conflitos crescentes e ações militares de potências globais. A percepção de vulnerabilidade, acentuada pela ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, impulsiona a necessidade de novas estratégias para o Brasil.

Essa conjuntura internacional, marcada pela ampliação de conflitos e pela busca por recursos estratégicos, coloca o Brasil em um momento decisivo. Conforme aponta Audo Faleiro, assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial da Presidência da República, o país precisa definir seu papel e seus investimentos em defesa diante de um mundo cada vez mais instável.

Faleiro destacou que, apesar de não vislumbrar ameaças imediatas às reservas de petróleo ou ao programa nuclear nacional, a conjuntura global demanda uma reflexão profunda sobre a capacidade de dissuasão brasileira. A declaração foi feita durante a 2ª Conferência Nacional Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, realizada na Universidade Federal do ABC. Conforme informação divulgada pela Agência Brasil, o assessor ressaltou a importância de se pensar a situação de defesa do Brasil, que é, segundo ele, “muito vulnerável”.

O dilema do investimento em defesa e a busca por dissuasão

O Brasil enfrenta um dilema persistente em relação ao investimento em defesa. Uma parcela da sociedade defende que o país, por ser pacífico, não necessitaria de grandes aparatos militares. Outra visão argumenta que a assimetria militar em relação a potências globais é tão grande que qualquer investimento seria ineficaz para reduzir essa distância.

No entanto, Faleiro citou exemplos de conflitos assimétricos, como o entre Estados Unidos e Irã, para ilustrar que “nem sempre o mais forte vence”, desde que haja uma capacidade de dissuasão bem estruturada. Essa perspectiva sugere que o Brasil pode encontrar caminhos para fortalecer sua posição de defesa sem necessariamente buscar uma paridade militar direta.

Minerais críticos e terras raras: um tesouro a ser explorado

Além da defesa, Faleiro elencou outros cinco desafios cruciais para a política externa brasileira até 2030. A exploração e gestão de minerais críticos e terras raras é um deles, área em que o Brasil detém a segunda maior reserva mundial. O arcabouço regulatório atual, no entanto, está defasado.

Há um esforço em curso para a criação de um Conselho Nacional de Minerais Críticos, vinculado à Presidência da República. O objetivo é desenvolver estratégias para que o Brasil possa “se assenhorar dessa condição especial” e garantir seu protagonismo na cadeia global desses recursos essenciais para tecnologias modernas.

Soberania digital e crime organizado transnacional em foco

A soberania digital é outro ponto de atenção, com o Brasil precisando acelerar seus investimentos e sua participação nas discussões globais, pois o país ficou para trás nessa evolução tecnológica. A preocupação é com a necessidade de garantir o controle sobre dados e infraestruturas digitais.

No combate ao crime organizado transnacional, Faleiro alertou para o risco de manipulação política do tema. O Brasil busca uma posição de vanguarda, tendo conquistado a direção-geral da Interpol com um delegado brasileiro. A meta é propor uma agenda regional de combate ao crime, incentivando a cooperação entre os países latino-americanos.

Integração regional e a reaproximação com a África

A integração regional na América Latina e Caribe enfrenta obstáculos significativos, como a eleição de Javier Milei na Argentina e a polarização política na Venezuela, que paralisaram iniciativas como a Unasul e a Celac. O Brasil se propõe a fazer o que for possível diante desse quadro de fragmentação.

Em relação à África, Faleiro reconheceu que, após uma década de menor atenção, o continente já conta com outros atores internacionais mais avançados em suas relações. O Brasil precisa “repensar vários desses instrumentos que nós abandonamos”, especialmente no campo da cooperação, para resgatar a simpatia histórica que possui na região.

BRICS: um bloco em busca de consenso

Sobre os BRICS, Faleiro avaliou que o aumento do número de membros em 2023 foi um “erro”, levando à paralisação do bloco. A existência de conflitos entre países membros, como Irã e Emirados Árabes Unidos, impede a emissão de declarações conjuntas sobre temas sensíveis, como o conflito no Oriente Médio, demonstrando a dificuldade de se alcançar um consenso.

A falta de uma posição unificada sobre crises internacionais evidencia a complexidade de gerir um grupo com interesses tão diversos. Faleiro considera que essa expansão foi um “equívoco” e duvida que seja reversível, impactando a capacidade de ação e influência do grupo no cenário geopolítico global.

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