Comércio varejista de Minas Gerais registra alta de 1,1% em agosto, superando a média nacional em alguns indicadores.
O comércio varejista em Minas Gerais apresentou um desempenho positivo em agosto de 2026, com um crescimento de **1,1% no volume de vendas** em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Este resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica uma leve recuperação do setor no estado.
Além do avanço anual, o comércio mineiro também registrou resultados positivos em outras métricas importantes. Houve um **crescimento de 0,6% em relação a julho** deste ano, acumulando uma alta de **0,4% de janeiro a agosto** e de **0,9% nos últimos 12 meses**.
Esses números colocam Minas Gerais em destaque, pois o estado superou a média nacional em dois dos quatro indicadores analisados. O Brasil, como um todo, teve avanços de 0,4% em relação a agosto do ano passado, 0,1% na comparação com o mês anterior, 1,7% no acumulado do ano e 1,6% em 12 meses. As informações são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE.
Consumo de bens básicos impulsiona resultados do varejo mineiro
Daniel Dutra, analista de pesquisas econômicas do IBGE, avalia o crescimento em Minas como **tímido**, especialmente no acumulado do ano. Segundo ele, o resultado positivo foi majoritariamente sustentado pelo **consumo de produtos básicos** e pela forte atividade de supermercados e hipermercados, que têm grande peso na pesquisa.
O analista explica que a tendência atual é de um consumo mais direcionado a itens essenciais. Dutra sugere que, se a economia estivesse mais aquecida, com taxas de juros menores, setores como o de móveis domésticos e tecidos poderiam apresentar resultados mais expressivos.
A seletividade do consumidor é notável, com uma **preferência clara por produtos de primeira necessidade**, como artigos farmacêuticos e itens encontrados em supermercados, o que reflete a cautela econômica.
Varejo ampliado em Minas Gerais supera desempenho nacional
No segmento do **varejo ampliado**, que engloba veículos, motocicletas, partes e peças, material de construção, além do atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, Minas Gerais mostrou um desempenho ainda mais robusto. O volume de vendas avançou **4,7% em relação a agosto de 2025** e **1% na comparação com julho deste ano**.
Este setor também registrou um crescimento expressivo de **4,2% no acumulado de janeiro a agosto** e de **3,9% nos últimos 12 meses**. Em todos esses comparativos, Minas Gerais apresentou resultados superiores aos do varejo ampliado nacional, que teve avanços de 0,4% (anual) e 0,1% (mensal).
Equipamentos de informática e comunicação lideram alta, enquanto material de construção recua
Ao analisar as 11 atividades pesquisadas no comércio varejista restrito e ampliado, observa-se que seis registraram crescimento e cinco apresentaram retração em agosto, em comparação com julho. O setor de **equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação** se destacou com uma impressionante alta de **149,6%**.
Em contrapartida, o setor de **material de construção** registrou a maior queda, com um recuo de **7,7%**. No acumulado de janeiro a agosto, o segmento de informática e comunicação manteve a liderança com um avanço de **62,8%**, enquanto tecidos, vestuário e calçados sofreram a maior queda (-6,2%).
Nos últimos 12 meses, sete das 11 atividades analisadas apresentaram queda, mas o setor de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação continuou a surpreender com uma alta de **26,8%**. As maiores retrações foram vistas em tecidos, vestuário e calçados, e móveis e eletrodomésticos, ambos com recuo de 5,4%.
Projeções futuras incertas devido ao endividamento das famílias
Apesar dos resultados positivos em alguns segmentos, as projeções para os próximos meses são cautelosas. Daniel Dutra aponta que, embora o final do ano seja tradicionalmente um período de maior volume de vendas, o cenário atual apresenta dificuldades para estimativas precisas.
O **elevado endividamento das famílias** é um dos principais fatores que preocupam o mercado e têm contido o crescimento do comércio varejista. Programas governamentais, como o Desenrolar, podem injetar mais dinheiro na economia, mas a previsão do comportamento do consumidor permanece desafiadora.




