OIM alerta para o alto número de mortes e desaparecimentos em rotas migratórias globais em 2025, destacando a periculosidade das travessias marítimas para a Europa.
Um relatório alarmante divulgado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) aponta que aproximadamente 8.000 pessoas morreram ou desapareceram ao tentar migrar em 2025. O número, embora ligeiramente menor que o recorde de 2024, reflete um fracasso coletivo em prevenir essas tragédias humanitárias.
Os dados divulgados pela agência da ONU nesta terça-feira (21) em Genebra pintam um quadro sombrio das condições enfrentadas por migrantes em todo o mundo. A diretora do departamento humanitário e de resposta da OIM, Maria Moita, enfatizou a necessidade de ações urgentes.
A OIM atribui a queda aparente no número total de vítimas em parte à impossibilidade de verificar cerca de 1.500 casos suspeitos, devido a cortes na ajuda humanitária. Essa falta de verificação oculta a real dimensão da crise, tornando muitos naufrágios verdadeiros “naufrágios invisíveis”, onde embarcações inteiras desaparecem sem deixar rastros.
Rotas Marítimas para a Europa: O Caminho Mais Perigoso
Mais de 40% das mortes e desaparecimentos registrados ocorreram nas rotas marítimas em direção à Europa. Estas travessias, frequentemente realizadas em embarcações precárias, representam um risco imenso para a vida dos migrantes, que buscam segurança e melhores oportunidades.
O relatório detalha que muitos desses incidentes são classificados como “naufrágios invisíveis”, pois os barcos afundam sem serem localizados, levando consigo todos os ocupantes. A falta de resgate e a vastidão do oceano transformam essas viagens em apostas mortais.
Ásia e África Ocidental: Cenários de Violência e Escassez
A rota migratória da África Ocidental para o norte do continente foi responsável por cerca de 1.200 mortes. Esta região enfrenta desafios significativos, impulsionando muitos a buscarem novas vidas, muitas vezes em condições extremas.
Na Ásia, o continente registrou um número recorde de mortes, incluindo centenas de refugiados Rohingya. Estes indivíduos fugiam da violência em Mianmar ou da precariedade em campos de refugiados superlotados em Bangladesh, evidenciando a complexidade das causas migratórias.
Mudanças nas Rotas e Riscos Constantes
A diretora-geral da OIM, Amy Pope, alertou que as rotas migratórias estão em constante mudança, influenciadas por conflitos, pressões climáticas e alterações nas políticas de imigração. No entanto, Pope ressaltou que, apesar das mudanças, os riscos para os migrantes permanecem inalterados e muito reais.
“Por trás desses números estão pessoas que fazem viagens perigosas e famílias que ficam esperando por notícias que talvez nunca cheguem”, declarou Pope em comunicado. A declaração sublinha o impacto humano devastador dessas estatísticas, lembrando que cada número representa uma vida perdida e famílias em profunda angústia.
A Falha Coletiva em Evitar Tragédias
A OIM reiterou que os números de mortes e desaparecimentos em 2025, embora menores que no ano anterior, são um testemunho da falha coletiva em evitar tais tragédias. A organização apela por uma maior cooperação internacional e ações humanitárias mais robustas para proteger vidas em trânsito.
A busca por segurança e dignidade continua impulsionando milhares de pessoas a empreenderem jornadas perigosas, e a comunidade internacional enfrenta o desafio de responder de forma eficaz e humana a essa crise migratória persistente.





