Terras Raras: Presidente da Adimb Defende Foco na Mineração como Passo Inicial para o Brasil Dominar Cadeia

Presidente da Adimb defende que Brasil priorize mineração de terras raras antes de avançar em etapas mais complexas da cadeia produtiva.

O Brasil possui um potencial significativo na exploração de terras raras, mas a estratégia para seu desenvolvimento deve ser mais focada e pragmática. Essa é a avaliação de Marcos André Gonçalves, presidente do Conselho Superior da Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (Adimb).

Para Gonçalves, o país deve concentrar seus esforços iniciais na mineração, área onde já detém competências e capacidades. A partir daí, as etapas subsequentes da cadeia produtiva, como o refino e a fabricação de produtos finais, podem surgir de forma natural e sustentável.

A visão de Gonçalves foi compartilhada durante o XII Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (Simexmin), realizado em Ouro Preto, Minas Gerais. A entrevista repercutiu a necessidade de o Brasil se posicionar de forma mais assertiva no mercado global de terras raras, que é estratégico para diversas tecnologias de ponta.

Brasil tem única mina de terras raras em operação, mas projetos avançam

Atualmente, o Brasil conta com apenas uma mina de terras raras em operação, localizada no estado de Goiás. No entanto, há um pipeline de projetos promissores, especialmente na região Sul de Minas Gerais, que indicam um potencial de crescimento para o setor.

Empresas também têm demonstrado interesse em investir em unidades de refino no país, o que seria um passo importante para agregar valor à produção nacional. Paralelamente, o governo federal busca estabelecer uma cadeia nacional completa, englobando desde a extração até a reciclagem de ímãs permanentes, essenciais para a indústria de alta tecnologia.

Jornada longa e particularidades do mercado de terras raras

Marcos André Gonçalves reconhece que o avanço na cadeia de terras raras será uma jornada longa e desafiadora. Ele destaca as particularidades deste setor, como a ausência de um mercado consolidado para superímãs e o poder de influência da China nos preços internacionais.

“Por que não começar com a mineração?”, questionou o executivo, ressaltando que a prioridade deve ser a extração. Ele argumenta que, com a abertura de novas minas, naturalmente surgirá a necessidade e o interesse em etapas intermediárias da cadeia produtiva, o chamado “midstream”.

Gonçalves é enfático ao afirmar que o Brasil não conseguirá avançar de “zero para cem” de uma só vez, defendendo um desenvolvimento progressivo e estruturado para o setor de terras raras.

Regulação excessiva pode comprometer oportunidades globais

Um dos pontos de atenção levantados por Gonçalves é o tempo excessivo gasto pelo Brasil em debates sobre regulação, estimado em 90%, em detrimento da busca por eficácia, que consumiria apenas 10%. Essa demora pode levar o país a perder a janela de oportunidade global que se apresenta para as terras raras e outras substâncias críticas.

Ele defende o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM) para aprimorar a fiscalização do setor e agilizar novos leilões de áreas minerárias. A disponibilização de mais informações geológicas para as empresas também é crucial, dado o alto risco e a incerteza inerentes à atividade de exploração mineral.

“O que adianta termos a melhor e mais rígida regulação do mundo se não tivermos as minas e se a coisa não estiver andando?”, ponderou, criticando a falta de avanço prático. A Adimb busca, no Senado Federal, promover um debate mais esclarecedor sobre o projeto de lei (PL) 2780/2024.

Projeto de lei sobre minerais críticos gera preocupações

Gonçalves expressou preocupação com o projeto de lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). Segundo ele, a proposta, que já foi aprovada pelos deputados e aguarda apreciação dos senadores, apresenta riscos de imprevisibilidade e discricionariedade, o que pode dificultar o desenvolvimento do setor de terras raras no Brasil.

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