A estabilidade de Donald Trump sob escrutínio: Guerra com o Irã e desavenças com o Papa abalam a confiança dos americanos.
Donald Trump enfrenta um período de intensa pressão pública, com sua aprovação caindo para o menor nível de seu mandato. Uma pesquisa recente da Reuters/Ipsos aponta que apenas 36% dos americanos aprovam o desempenho do presidente, um reflexo direto das crescentes dúvidas sobre seu temperamento e capacidade de liderança.
As tensões aumentaram significativamente com a recente guerra entre os Estados Unidos e o Irã, que desencadeou uma alta expressiva nos preços da gasolina. Paralelamente, as declarações do presidente contra o papa Leão 14, após críticas à intervenção militar, adicionaram mais combustível às preocupações sobre sua conduta.
A pesquisa, que ouviu 4.557 adultos norte-americanos, revela uma divisão na própria base republicana, com muitos expressando apreensão quanto à estabilidade mental do presidente de 79 anos. Esses questionamentos ganham força em meio a um cenário internacional cada vez mais volátil.
Preocupações com o temperamento e a capacidade mental de Trump.
A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada entre os dias 10 e 16 de janeiro, indica que apenas 26% dos americanos consideram Trump “equilibrado”. Essa percepção é particularmente alarmante entre os democratas, com apenas 7% concordando com essa avaliação. Dentro do próprio Partido Republicano, a divisão é notável, com 53% considerando Trump equilibrado e 46% discordando.
Nas últimas semanas, Trump tem sido alvo de críticas por declarações consideradas agressivas, incluindo uma ameaça nas redes sociais de “acabar com a civilização” do Irã. Sua resposta ao papa Leão 14, que criticou a guerra, foi classificada como “fraca em relação ao crime” pelo presidente, intensificando o debate sobre seu temperamento.
O episódio da ameaça militar contra a Dinamarca, por conta da questão da Groenlândia, também contribuiu para a percepção de instabilidade. A Casa Branca não comentou oficialmente as recentes pesquisas e declarações.
Guerra com o Irã e o impacto na economia e segurança.
A guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro, teve um impacto direto no bolso dos americanos, com o aumento dos preços da gasolina. Apenas 26% dos entrevistados na pesquisa acreditam que a ação militar dos EUA no Irã valeu os custos, e somente 25% consideram que os ataques tornarão os Estados Unidos mais seguros.
O índice de aprovação de Trump em relação à sua gestão do custo de vida nos Estados Unidos atingiu o menor patamar, 26%. Essa percepção negativa se estende à condução da guerra, com 36% aprovando os ataques militares, um número que pouco mudou em relação a abril.
O Papa Leão 14: uma figura mais popular que o presidente.
Os ataques de Trump ao papa Leão 14 contrastam com a alta estima que os americanos têm pelo pontífice. Cerca de 60% dos entrevistados demonstraram uma visão favorável do papa, superando em muito a aprovação de Trump, que ficou em 36%. Essa diferença de percepção destaca a polarização em torno da figura presidencial.
A pesquisa também abordou a saída dos EUA da OTAN, uma ameaça recorrente de Trump. Apenas 16% dos norte-americanos apoiam tal decisão, indicando uma forte resistência a essa medida entre a população. A capacidade mental de Trump, segundo 51% dos entrevistados, “piorou” no último ano, um dado preocupante para a estabilidade política do país.





