Rodoanel de BH pode ser abandonado e verba de Brumadinho realocada para metrô
O futuro do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte está em xeque. O Governo de Minas Gerais considera a possibilidade de abandonar o projeto em menos de um mês caso não haja avanços significativos na esfera judicial. A decisão pode levar ao redirecionamento de R$ 3 bilhões, provenientes do Acordo de Reparação de Brumadinho, para outras iniciativas de infraestrutura, como a expansão do metrô da capital mineira.
A notícia foi divulgada pelo chefe do executivo estadual, Mateus Simões, após uma audiência no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6). O impasse judicial está ligado a uma ação movida pela Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais, que alega impactos em seis territórios quilombolas, o que inviabilizaria o projeto do Rodoanel.
Simões expressou frustração com o atraso, já que as obras do Rodoanel de BH, inicialmente previstas para o ano passado, seguem paralisadas. Ele destacou que essa paralisação afeta diretamente a rotina da população e compromete a segurança nas vias atuais. Diante da complexidade da situação, o Estado cogita solicitar a revisão da destinação dos recursos, priorizando projetos como a expansão da Linha 1 e a implantação das Linhas 3 e 4 do metrô de BH.
Projeto do Rodoanel de BH enfrenta obstáculos jurídicos e ambientais
O governador argumentou que a responsabilidade pelas obras do Rodoanel de Belo Horizonte não é estadual e classificou como inviável a realização de uma nova consulta às comunidades quilombolas, como solicitado por algumas entidades. A concessionária responsável pelo Rodoanel de BH, por sua vez, informou ao Diário do Comércio que aguarda a emissão da licença ambiental estadual para dar início às obras, afirmando que não cabe à empresa pronunciamentos sobre as ações governamentais até lá.
O Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte é um dos projetos de infraestrutura mais ambiciosos da história de Minas Gerais. Ele prevê um traçado de aproximadamente 70 km, passando por oito municípios da Região Metropolitana de BH, incluindo Contagem, Betim, Ribeirão das Neves e Santa Luzia. O investimento total é de R$ 5 bilhões, sendo R$ 3 bilhões do acordo de Brumadinho e R$ 2 bilhões da concessionária.
Expectativa de início das obras e benefícios econômicos
Caso uma decisão judicial favorável seja proferida nos próximos dias, a expectativa é de que as obras do Rodoanel de BH comecem no segundo semestre deste ano. A concessionária assegura que não haverá necessidade de realocar nenhuma das seis comunidades quilombolas próximas ao traçado. A proposta original das obras permanece inalterada, com prioridade para frentes de intervenção mais demoradas, como pontes, viadutos, drenagens e terraplanagens de grande volume.
A viabilização do Rodoanel de BH tem o potencial de atrair novos investimentos e manter os já existentes na região metropolitana. Estima-se que a nova estrutura viária possa elevar o Produto Interno Bruto (PIB) da região entre 7% a 13% em dez anos, com um crescimento da produção entre 0,8% e 1,3% no mesmo período. Além disso, a implantação do Rodoanel de BH deve gerar cerca de 10 mil empregos.




