Governo mira 2027 para reavaliar benefícios fiscais e busca alíquota menor para a nova Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
O futuro da reforma tributária sobre o consumo pode trazer novas discussões ainda em 2027. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou a intenção de dialogar com o Congresso Nacional para rever benefícios fiscais concedidos a diversos setores econômicos. O objetivo principal é simplificar o sistema, reduzir as isenções e, consequentemente, viabilizar uma diminuição na alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Essa articulação ganha destaque após o Tribunal de Contas da União (TCU) apresentar uma estimativa de 11,3% para a alíquota da CBS em 2027, um percentual acima das projeções de mercado, que giravam em torno de 9,4%. Essa diferença se deve, em parte, ao desenho da reforma, que busca manter a arrecadação total sobre o consumo, o que eleva a tributação sobre os demais produtos e serviços quando há muitas exceções.
A proposta do Ministério da Fazenda é, portanto, buscar um equilíbrio maior na cobrança, evitando que a alíquota geral da CBS permaneça em patamares elevados nos próximos anos. Conforme informação divulgada pelo Ministério da Fazenda, a revisão de parte dessas vantagens fiscais é vista como um caminho para uma distribuição mais equitativa da carga tributária.
Entendendo os Benefícios Fiscais e o Impacto na CBS
Benefícios fiscais são ferramentas usadas pelo governo para reduzir ou isentar impostos de produtos, atividades ou setores específicos. Eles servem como incentivos econômicos, proteção de áreas estratégicas ou para tornar bens e serviços mais acessíveis à população. Na reforma tributária, o Congresso aprovou tratamentos diferenciados, como alíquotas reduzidas e isenções, que, apesar de beneficiarem alguns grupos, impactam a arrecadação potencial do sistema.
Como a reforma tributária visa manter a carga tributária global sobre o consumo, as vantagens concedidas a alguns segmentos precisam ser compensadas no cálculo da alíquota aplicada aos demais. É justamente este ponto que o governo pretende debater com os parlamentares, avaliando quais benefícios podem ser ajustados sem prejudicar políticas públicas importantes.
A Projeção de 11,3% para a Alíquota da CBS
O percentual de 11,3% divulgado pelo TCU é uma estimativa técnica para garantir o equilíbrio da arrecadação durante a transição para o novo sistema tributário. A diferença para as projeções de cerca de 9,4% sugere que o peso dos benefícios fiscais aprovados e outras variáveis do sistema podem demandar uma tributação maior do que o inicialmente esperado por parte do mercado. É fundamental notar que este valor de 11,3% não é a alíquota definitiva, mas sim um cálculo de referência que será submetido ao Congresso Nacional para a definição final.
O Senado Federal terá a responsabilidade de estabelecer o percentual final da CBS até 15 de dezembro, seguindo o calendário estabelecido para a implementação do novo tributo. A definição da alíquota e a eventual revisão dos benefícios fiscais são processos distintos, mas ambos cruciais para o sucesso da reforma.
O Papel do Senado e os Próximos Passos para Empresas e Consumidores
Apesar do desejo do governo de revisar incentivos, a retirada imediata de benefícios fiscais não é simples, pois parte deles foi definida pela própria Emenda Constitucional nº 132, que promulgou a reforma. Qualquer alteração significativa exige um debate aprofundado com o Congresso, e não apenas uma decisão na definição da alíquota pelo Senado. O governo busca avançar na discussão sobre a manutenção ou modificação desses benefícios para os anos seguintes, com o objetivo de reduzir a alíquota geral da CBS no futuro.
A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) será o principal tributo federal no novo modelo de tributação sobre o consumo, substituindo gradualmente o PIS e a Cofins. O IBS cuidará da tributação estadual e municipal. A eventual redução de benefícios fiscais poderá impactar diretamente empresas que hoje gozam de incentivos, exigindo atenção às discussões legislativas. Para os consumidores, o efeito nos preços dependerá de como essas mudanças serão repassadas. A reforma também demandará adaptações nos sistemas de contabilidade e gestão financeira de todas as empresas.




