Milhares de Americanos Saem às Ruas em Protestos ‘No Kings’ Contra Políticas de Donald Trump
Manifestantes em milhares de cidades dos Estados Unidos participaram no sábado (28) da terceira rodada de protestos nacionais com o lema “No Kings” (Sem Reis). As manifestações, que reuniram mais de 3.200 eventos planejados em todos os 50 estados, foram motivadas por uma série de políticas da administração do presidente Donald Trump, incluindo medidas agressivas de deportação, a guerra no Irã e outras ações governamentais.
As mobilizações, que já atraíram milhões de participantes em edições anteriores, demonstraram um crescimento significativo de participação em comunidades menores, com dois terços dos eventos ocorrendo fora das grandes metrópoles. Essa expansão indica um alcance cada vez maior do movimento de oposição às políticas de Trump.
Conforme informações divulgadas pela Reuters, os protestos refletem um crescente descontentamento popular com a direção do país sob a liderança de Trump. O movimento “No Kings” se consolidou como uma plataforma para expressar oposição a temas como autoritarismo, políticas de imigração restritivas e ações militares controversas.
Manifestações em Grandes Centros e o Crescimento em Cidades Menores
Grandes concentrações ocorreram em cidades como Nova York, Dallas, Filadélfia e Washington. Em Nova York, a polícia estimou dezenas de milhares de participantes que se estenderam por mais de 10 quarteirões em Manhattan. O ator Robert De Niro, um dos organizadores, declarou que nenhum presidente anterior representou “uma ameaça existencial tão grande às nossas liberdades e segurança”.
A participação em cidades menores, no entanto, apresentou um aumento notável de quase 40% em comparação com a primeira mobilização do movimento. Essa descentralização dos protestos demonstra a capilaridade do movimento e o alcance de sua mensagem em diversas regiões do país.
Minnesota: Um Epicentro de Resistência e Luta por Direitos
Em Minnesota, um estado considerado um ponto crítico na repressão à imigração ilegal promovida por Trump, uma grande manifestação ocorreu em frente ao Capitólio estadual em Saint Paul. Muitos manifestantes portavam cartazes com fotos de Renee Good e Alex Pretti, cidadãos americanos mortos por agentes federais de imigração em Minneapolis.
O governador de Minnesota, Tim Walz, candidato democrata à vice-presidência em 2024, discursou para a multidão, afirmando que a resistência deles os torna “o coração e a alma” do que há de bom nos Estados Unidos. Ele destacou o orgulho em serem “radicalizados pela compaixão, pela decência, pelo devido processo legal, pela democracia e para fazer tudo o que pudermos para nos opormos ao autoritarismo”.
O senador Bernie Sanders, conhecido crítico de Trump, também discursou no evento, reforçando a mensagem de que “o povo” governará e que não permitirão que o país mergulhe no autoritarismo ou na oligarquia americana. O músico Bruce Springsteen apresentou sua canção “Streets of Minneapolis”, que critica a política de imigração de Trump e lamenta as mortes de Good e Pretti.
Confrontos e Prisões em Dallas e Los Angeles
Em Dallas, um evento contou com a presença de milhares de pessoas e registrou confrontos entre manifestantes do movimento “No Kings” e grupos de contraprotesto, incluindo um liderado por Enrique Tarrio, ex-líder da organização de extrema-direita Proud Boys. Pequenos confrontos ocorreram quando manifestantes contrários bloquearam ruas, levando a polícia de Dallas a realizar diversas prisões.
Na Califórnia, em Los Angeles, a manifestação também teve momentos de tensão. Duas pessoas foram presas por agredir agentes da lei federais durante um protesto que cercou um prédio federal. Autoridades federais lançaram gás lacrimogêneo contra a multidão após objetos serem arremessados por cima de uma cerca, resultando em mais prisões por não dispersão.
Impacto nas Eleições de Meio de Mandato e Queda na Aprovação de Trump
Os organizadores do movimento “No Kings” relatam um aumento no interesse em organizar e participar de eventos anti-Trump em estados tradicionalmente republicanos, como Idaho, Wyoming, Montana e Utah, às vésperas das eleições de meio de mandato. Esse cenário eleitoral, que definirá a composição do Congresso dos EUA em novembro, pode ser influenciado pelo crescente descontentamento popular.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos indicou que a taxa de aprovação de Donald Trump caiu para 36%, o nível mais baixo desde seu retorno à Casa Branca. O interesse em áreas suburbanas competitivas, cruciais para a definição de eleições nacionais, tem aumentado consideravelmente, segundo Leah Greenberg, cofundadora do Indivisible, grupo que iniciou o movimento “No Kings”.
Os eventos de sábado também ocorreram em meio a um apelo contra o bombardeio do Irã pelos EUA e Israel, um conflito que já dura quatro semanas. Morgan Taylor, participante do protesto em Washington, expressou indignação com a ação militar, classificando-a como uma “guerra estúpida” sem necessidade de envolvimento americano.





