O sistema Pix, meio de pagamento instantâneo que revolucionou as transferências bancárias no Brasil, vai ganhar um reforço importante na segurança: a partir de 23 de novembro de 2025.
Nesta data entra em vigor uma nova versão do mecanismo de devolução e rastreamento (Mecanismo Especial de Devolução – MED 2.0) que permitirá às instituições financeiras e ao Banco Central do Brasil (BC) rastrear o trajeto dos valores envolvidos em fraudes, bloqueando recursos não apenas na primeira conta de destino, mas em várias camadas intermediárias.
O que muda no Pix: rastreamento ampliado e devolução mais rápida
Até agora, o sistema de contestação de fraudes via Pix permitia que o cliente acionasse o chamado botão de contestação e que o banco bloqueasse os valores na primeira conta que recebeu o dinheiro.
O problema: os fraudadores rapidamente transferem o montante para outras contas, muitas vezes já vazias no momento da contestação.
Com o MED 2.0, será possível construir uma “árvore de transações” e rastrear diversas camadas de envio: “A conta recebedora manda R$ 50 para um lado, R$ 50 para outro… Agora a gente vai rastrear esse dinheiro em camadas e bloquear os valores com muito mais facilidade”, explicou o diretor do BC, Renato Dias de Brito Gomes.
Além disso, a devolução do valor ao cliente vítima poderá ocorrer em até 11 dias após a contestação, no caso de fraude confirmada.
Prazo de obrigatoriedade e etapas de implementação da nova regra do Pix
O novo mecanismo começa a vigorar na data anunciada (23 de novembro), mas será facultativo para os bancos até 2 de fevereiro de 2026, quando se tornará obrigatório para todas as instituições participantes do Pix.
Esse cronograma visa dar tempo para que as instituições financeiras adaptem seus sistemas internos, atualizem regras e participem da troca de informações exigida pelo rastreamento ampliado.
Por que essa mudança é importante
Desde seu lançamento, o Pix cresceu de forma acelerada e se tornou parte essencial da rotina financeira do brasileiro. Porém, esse uso massivo também atraiu fraudadores que exploram a agilidade e a instantaneidade das transferências.
O rastreamento limitado até agora criava brechas: o valor entrava em uma conta, o fraudador movimentava rapidamente e o sistema ficava sem condições de recuperar o montante.
Com o MED 2.0, espera-se que o escoamento de recursos por golpistas seja mais dificultado, e que casos de fraude tenham maior chance de devolução ao cliente. Isso fortalece a confiança no sistema e ajuda a mitigar prejuízos.
Como funciona, passo a passo, para o usuário
Quando o usuário suspeitar de uma transação via Pix que seja fraude, golpe ou coerção, deverá seguir estas etapas:
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Acionar o botão de contestação no aplicativo do banco, disponível desde 1º de outubro de 2025.
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O banco do suposto receptor receberá a notificação e será requisitado a bloquear os valores da conta-destino.
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Com o MED 2.0, caso os valores tenham sido repassados para outras contas, poderá haver bloqueio em contas intermediárias que receberam parte do montante.
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As instituições têm até 7 dias para análise. Confirmado o golpe, a devolução pode ocorrer em até 11 dias após a contestação.
É importante ressaltar que o mecanismo não se aplica a casos de erro de digitação da chave, nem a desacordos comerciais ou disputas de produto ou serviço — trata-se de fraudes identificadas.
Benefícios esperados e estatísticas relevantes
O BC informa que os valores devolvidos por fraudes via Pix já ultrapassam R$ 1,5 bilhão desde 2021. Em 2024, foram devolvidos R$ 561,5 milhões, e em 2025 (até julho) já se registravam R$ 377,4 milhões.
Com o novo mecanismo, espera-se que esse montante de devoluções aumente, que os indevidos sejam bloqueados mais cedo e que a letalidade dos golpes diminua. Para o usuário, significa maior proteção, menos desgaste e mais chances de ressarcimento.
Próximas etapas do Pix além do MED 2.0
O anúncio da mudança coincide com o 5º aniversário do Pix, e vem acompanhado de outras novidades esperadas ou já implementadas, como: Pix Automático para débitos interbancários (desde outubro) e Pix Parcelado, Pix em Garantia ou por Aproximação, que devem seguir nos próximos meses ou anos.
Essas inovações demonstram que o Pix está em constante evolução — não apenas como meio de pagamento, mas como plataforma integrada de serviços financeiros, o que amplia a necessidade de segurança e rastreabilidade.





