Picanha: o corte que virou símbolo político e econômico, com preços em alta, mas ritmo menor sob Lula 3
O preço da picanha, um dos cortes de carne bovina mais apreciados pelos brasileiros, tem sido um tema recorrente no debate político e econômico do país. Embora os valores continuem a subir no acumulado do terceiro governo Lula, os dados indicam que o ritmo de crescimento é menor quando comparado ao período do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A discussão sobre o custo da picanha ganhou força a partir das eleições de 2022, quando o próprio Luiz Inácio Lula da Silva mencionou o desejo de que o povo voltasse a desfrutar de churrascos com picanha e cerveja. No entanto, a realidade econômica tem imposto desafios, e o preço da carne nobre continua a pesar no orçamento familiar, mesmo com uma desaceleração na inflação.
É importante notar que o comportamento dos preços da picanha é influenciado por uma série de fatores econômicos, como oferta e demanda, custos de produção e condições climáticas, e não apenas por decisões governamentais. Conforme análise de economistas, a maior oferta de carne bovina tem contribuído para conter a inflação do setor nos últimos anos.
Inflação da picanha: uma análise comparativa
De acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) compilados pelo economista Fábio Romão, da consultoria 4intelligence, a picanha acumulou uma inflação de 7,8% de janeiro de 2023 a agosto de 2026, período que abrange os primeiros 44 meses do governo Lula. Este índice, embora represente um aumento, é significativamente menor do que os 38% registrados no intervalo de janeiro de 2020 a dezembro de 2022, último ano do governo Bolsonaro.
A inclusão da picanha no cálculo do IPCA só ocorreu a partir de janeiro de 2020. No geral, o preço da carne bovina já apresentava uma alta expressiva em 2019, com 32,4%. Em 2020, o IBGE atualizou a cesta de bens e serviços do índice, mas a tendência de alta para a picanha se manteve.
Fatores que influenciam o preço da carne
Especialistas apontam que a oferta maior de carne bovina tem sido um dos principais fatores para conter a inflação do setor nos últimos anos. Em 2025, o Brasil atingiu um recorde de abate de bovinos, com 42,9 milhões de cabeças sob inspeção sanitária, segundo o IBGE. Essa produção crescente, observada desde 2022, ajuda a equilibrar os preços.
Em contrapartida, durante o governo Bolsonaro, o setor de alimentos foi pressionado por fatores como a pandemia de Covid-19, a guerra entre Rússia e Ucrânia, a alta do dólar e problemas climáticos, que impactaram o custo de insumos para a alimentação animal. “O que prepondera são questões de oferta”, afirma Romão.
Mal-estar com o custo da picanha persiste
Apesar do ritmo de aumento da picanha ter diminuído no governo Lula, o alto patamar de preços continua gerando insatisfação. Em agosto de 2026, o preço médio do quilo de cortes de carne de primeira na cidade de São Paulo era de R$ 50,49, de acordo com pesquisa do Procon-SP e Dieese. Em agosto de 2022, antes das eleições, o valor era R$ 42,54, e em agosto de 2019, pré-pandemia, R$ 23,61.
Essa escalada de preços, mesmo com uma desaceleração, incide sobre um custo que já era elevado, impactando o orçamento das famílias. A migração para proteínas mais baratas, como frango e porco, tornou-se uma estratégia comum para muitos consumidores.
Cerveja: um acompanhamento com inflação similar
A cerveja, outro item mencionado por Lula em 2022, também apresentou inflação. No período de janeiro de 2023 a agosto de 2026, a bebida acumulou uma alta de 19,5% no IPCA. Este índice é bastante semelhante à taxa de 19,2% observada entre janeiro de 2019 e agosto de 2022, durante o governo Bolsonaro.
A análise dos dados econômicos, como os preços da picanha e da cerveja, revela a complexidade do cenário inflacionário e a influência de diversos fatores na formação de preços, que vão além das ações governamentais diretas. A oferta de produtos, eventos globais e condições climáticas desempenham papéis cruciais.





