Serviços em Alta: Economistas Veem PIB Forte no Início de 2026 com Impulso Tecnológico
A performance surpreendente do setor de serviços em janeiro deste ano reacendeu o otimismo entre os economistas. Uma leitura acima do esperado no volume de serviços reforça a expectativa de um Produto Interno Bruto (PIB) robusto para o primeiro trimestre de 2026.
Segmentos menos voláteis, como informação, comunicação e outros serviços, foram os grandes protagonistas. Embora alguns analistas apontem para uma recomposição após um desempenho mais fraco em dezembro, o diagnóstico central de uma desaceleração gradual da economia, sob o impacto de juros elevados, permanece.
Os dados oficiais, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), indicam que a força do setor de serviços é um pilar importante para a economia brasileira. Conforme informação divulgada pelo IBGE, em janeiro, o volume de serviços subiu 0,3% ante dezembro, na série com ajuste sazonal, superando a mediana de 0,1% das projeções.
Tecnologia e Outros Serviços Lideram o Avanço
André Valério, economista sênior do Inter, destaca que a alta em janeiro foi concentrada em setores menos cíclicos. Ele aponta que os serviços de informação e comunicação, com um crescimento de 1,0%, foram particularmente impulsionados pela tecnologia da informação, que avançou 3,4%.
Valério ressalta a importância desses segmentos, afirmando que eles são o principal motor da robustez do setor de serviços, respondendo por 44% do crescimento nos últimos 12 meses. Por outro lado, ele observa uma retração nos serviços prestados às famílias (-1,2%), um movimento comum em janeiro.
Desaceleração Gradual Mantém Cenário de Juros Elevados
Leonardo Costa, economista do ASA, concorda que houve uma surpresa positiva em janeiro, mas mantém a visão de fundo. Ele acredita que o dado não altera o diagnóstico de uma desaceleração gradual da economia em um cenário de juros elevados. Costa cita “outros serviços” (+3,7%) e informação e comunicação (+1,0%) como os principais impulsionadores do mês.
Os transportes (+0,4%) também contribuíram, recuperando perdas anteriores. Costa avalia que esses fatores confirmam uma projeção de PIB mais forte para o primeiro trimestre de 2026, mas adverte que a visão de desaceleração ao longo do ano se mantém. A expectativa é de um PIB em torno de 1% para o primeiro trimestre, segundo o Bradesco.
Otimismo com Dinamismo Estrutural e Medidas de Estímulo
Rafael Perez, economista da Suno Research, adota um tom mais otimista. Ele prevê que os serviços manterão um forte dinamismo em 2026, com destaque para informação e comunicação, serviços profissionais e administrativos, e transportes. Perez associa esse movimento a transformações estruturais, como a digitalização, que aumenta a demanda por serviços empresariais.
Ele também aponta que medidas governamentais, como a isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), podem beneficiar os serviços às famílias. Com um mercado de trabalho robusto e crescimento da renda, Perez projeta uma alta de 0,9% do PIB no primeiro trimestre e 1,8% no acumulado do ano.
Projeções Indicam Expansão Contínua do Setor de Serviços
Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, estima um PIB de 1% no primeiro trimestre, com o setor de serviços avançando 0,4% no trimestre móvel encerrado em janeiro. Ele sustenta que o setor permanecerá em trajetória de expansão em 2026, impulsionado pela inflação mais baixa, aumento da renda disponível e medidas de estímulo que sustentam a demanda doméstica.
Margato prevê um aumento significativo na renda real disponível das famílias neste ano. Segundo ele, esses fatores devem compensar o impacto das taxas de juros ainda restritivas, garantindo a continuidade do crescimento econômico. A resiliência do setor de serviços é vista como um dos principais pilares da economia em 2026.





