PIB de Minas Gerais em Queda: Atividade Econômica Perde Fôlego em 2026, Impactada por Agronegócio e Indústria

Atividade econômica de Minas Gerais mostra sinais de desaceleração no início de 2026.
O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais registrou uma retração de 0,7% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o recuo foi de 0,5%, indicando uma perda de fôlego na economia do estado.
Eduardo Menicucci, professor associado da Fundação Dom Cabral, avalia que não há expectativa de uma recuperação substancial já no segundo trimestre, mas projeta que a queda do PIB não se repetirá com a mesma intensidade nos trimestres seguintes. Ele também prevê que as eleições no segundo semestre podem aumentar a instabilidade e impactar negativamente a economia.
Os fatores que contribuem para esse cenário incluem juros elevados, inflação persistente, incertezas externas e um ambiente global de maior cautela para investimentos. Além disso, o agronegócio, setor de grande peso para Minas Gerais, enfrenta desafios relacionados à pauta de exportação e ao preço das commodities.
Conforme informação divulgada pelo Diário do Comércio, o especialista alerta que a restrição de crédito para o agronegócio já resultou na redução da aquisição de insumos, fertilizantes, máquinas e equipamentos para as próximas safras. A normalização do fluxo de petróleo e o fim de conflitos internacionais, como no Estreito de Ormuz, podem trazer alívio nos próximos trimestres.
Queda na Agropecuária e Indústria Pesa no Resultado do PIB Mineiro
A retração do PIB mineiro foi influenciada principalmente pelas quedas nos setores da agropecuária e da indústria. Em valores correntes, o PIB estadual somou R$ 285,7 bilhões nos três primeiros meses do ano.
Na agropecuária, a retração foi severa, com um tombo de 9,9% na comparação trimestral, contrastando com o crescimento nacional de 2,0% impulsionado por safras recordes em outras regiões. Em Minas Gerais, houve quebras locais de safra de grãos importantes.
A indústria extrativa mineral, cujo foco em Minas é o minério de ferro, registrou uma queda drástica de 5,4% na margem. Em contrapartida, a indústria de transformação apresentou uma variação negativa de -0,3%, e a indústria da construção contraiu 3,7%. As utilidades públicas também ficaram abaixo, com -2,2%.
Setor de Serviços Apresenta Crescimento e Ameniza o Impacto Negativo
O setor de serviços foi um ponto positivo, com o volume de produção apresentando uma expansão de 1,5% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Esse avanço ajudou a amenizar o desempenho negativo geral do PIB estadual.
O especialista destaca medidas econômicas do governo federal, como o Move Brasil Táxi e Aplicativos e o Desenrola, como fatores atenuantes que podem trazer alento para a recuperação da economia mineira nos próximos trimestres.
Minas Gerais Desempenha Abaixo da Média Nacional e do Eixo Rio-SP
O desempenho econômico de Minas Gerais no primeiro trimestre de 2026 ficou significativamente abaixo da média nacional e na direção oposta de estados líderes como São Paulo e Rio de Janeiro. Enquanto a economia brasileira acelerou com um crescimento de 1,1% na margem, Minas Gerais enfrentou um recuo de 0,5%.
O crescimento do PIB nacional foi impulsionado pelo consumo das famílias e pela atividade econômica concentrada no eixo Rio-São Paulo, que se beneficiaram da estabilidade do setor de serviços e de uma indústria de transformação mais resiliente. O contraste mineiro com os principais estados e o cenário nacional evidenciam fatores estruturais específicos.
Apesar do recuo temporário, Minas Gerais mantém o posto de segunda maior economia do País em volume total. Analistas apontam que a tendência é de convergência com a média nacional à medida que as exportações de commodities se estabilizarem nos próximos meses.
Perspectivas e Desafios para a Recuperação Econômica Mineira
A recuperação da economia mineira nos próximos trimestres dependerá de diversos fatores. A estabilização dos preços das commodities e a melhora no acesso ao crédito para o agronegócio são cruciais.
Além disso, a continuidade de políticas de estímulo econômico e a redução das incertezas macroeconômicas, tanto internas quanto externas, serão fundamentais para reverter o quadro de desaceleração e impulsionar o crescimento do PIB de Minas Gerais.