PIB brasileiro em 2025: estabilidade trimestral e sinais de desaceleração
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou uma variação tímida de 0,1% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o período anterior, segundo dados divulgados pelo IBGE. Este resultado, ajustado sazonalmente, confirma uma tendência de desaceleração econômica que já vinha sendo antecipada por indicadores antecedentes.
O desempenho moderado reflete um cenário de avanços em setores específicos, como a agropecuária e a indústria, que apresentaram crescimento. No entanto, o setor de serviços, o maior motor da economia brasileira, respondeu por mais de 70% do PIB e ficou praticamente estagnado, com uma leve alta de apenas 0,1%.
A economia brasileira totalizou R$ 3,2 trilhões no período, sendo R$ 2,8 trilhões de Valor Adicionado e R$ 449,3 bilhões em impostos. A taxa de investimento fechou o trimestre em 17,3% do PIB, ligeiramente abaixo do ano anterior, enquanto a poupança manteve-se em 14,5%. Conforme informação divulgada pelo IBGE, o resultado indica uma economia que segue funcionando, mas com um ritmo visivelmente mais lento.
Agropecuária e Indústria lideram crescimento anual, mas transformação recua
Na análise anual, o PIB brasileiro avançou 1,8% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024. A força motriz desse crescimento foi a agropecuária, que disparou 10,1%, impulsionada por aumentos expressivos na produção e produtividade de diversos produtos. A única queda relevante neste setor foi na produção de cana-de-açúcar, que recuou 1%.
A indústria também contribuiu positivamente, com alta de 1,7% na comparação anual. As indústrias extrativas, especialmente a extração de petróleo e gás, foram o grande destaque, com um avanço de 11,9%. A construção civil também mostrou força, crescendo 2,0%, beneficiada pelo aumento da ocupação e da massa salarial real.
Por outro lado, a indústria de transformação apresentou um recuo de 0,6%, afetada pela menor produção em segmentos como coque, derivados de petróleo, produtos de metal, bebidas e madeira. O setor de eletricidade e gás, água e resíduos também caiu 1,0%, em função das bandeiras tarifárias vermelhas que impactaram os custos ao longo do trimestre.
Serviços e Demanda Interna: crescimento moderado e sustentado pelo governo
Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias mostrou um avanço modesto de 0,1% no trimestre. Este resultado foi sustentado pelo aumento da massa salarial, pelas transferências de renda e por uma maior concessão de crédito. Em contrapartida, o consumo do governo apresentou um crescimento mais robusto, de 1,3%.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que representa os investimentos em bens de capital, teve uma alta de 0,9%. Esse avanço foi puxado pela construção, importação de bens de capital e desenvolvimento de software, apesar de uma queda na produção interna de bens de capital. No setor externo, as exportações apresentaram um bom desempenho, subindo 3,3%, enquanto as importações cresceram de forma mais contida, 0,3%.
Especialistas apontam juros altos e incerteza como freios da economia
Analistas econômicos apontam que o resultado do PIB de 0,1% confirma a perda de ritmo da economia brasileira. Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, destaca que o país opera sob condições financeiras apertadas, com o crédito caro limitando tanto o consumo quanto o investimento. Ele ressalta que, apesar da resiliência, a economia está travada, faltando confiança e investimento, e com excesso de incerteza.
Roberto Dumas, mestre em economia, concorda que o resultado não é surpreendente e está alinhado com os efeitos esperados da política monetária. Ele observa que o crescimento dos serviços foi praticamente nulo, e o consumo das famílias avançou pouco. Para ele, o gasto do governo e o investimento foram os principais responsáveis por sustentar o trimestre, um cenário que o Banco Central busca para conter a inflação.
Leonardo Costa, economista do ASA, reforça a ideia de moderação contínua. Ele aponta que a política monetária apertada continua a ter um efeito relevante sobre a demanda interna, e que o crescimento se concentra em setores ligados à oferta. A trajetória da economia em 2025, segundo ele, é de perda de ritmo, com o ano terminando mais lento do que começou.




