Petróleo Dispara em Julho com Crise no Oriente Médio: Brent e WTI Mostram Maior Alta Mensal Desde Março

Petróleo encerra julho com forte alta impulsionada por conflitos no Oriente Médio e estoques em queda
O mercado de petróleo testemunhou um expressivo avanço em julho, registrando a maior alta mensal desde março. O barril Brent, referência global, fechou o mês com uma valorização de 22,93%, encerrando sexta-feira (31) a US$ 89,68. No mesmo período, o WTI (West Texas Intermediate), indicador dos Estados Unidos, acumulou alta de 20,34%, finalizando a US$ 86,80.
Este desempenho reverte a queda de quase 20% observada em junho, refletindo a crescente apreensão dos investidores diante de novas escaladas no conflito do Oriente Médio. A commodity havia chegado a igualar patamares pré-guerra no mês anterior, mas a situação mudou drasticamente em julho.
O cenário geopolítico foi marcado pelo fim de uma frágil pausa nas hostilidades entre Washington e Teerã. Além disso, a entrada dos houthis, baseados no Iêmen, no conflito adicionou uma nova camada de risco às rotas de transporte marítimo no Mar Vermelho.
Conforme informação divulgada pela Folhapress, as forças da Arábia Saudita também se uniram aos EUA em ataques contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque. Paralelamente, os estoques de petróleo nos Estados Unidos continuaram a apresentar uma diminuição acentuada.
Aumento da tensão e rotas de navegação em risco
Scott Shelton, especialista em energia da TP ICAP Group, destacou que “o mundo está ficando mais apertado e usando o excedente de petróleo bruto e derivados dos EUA para equilibrar, a ponto de os EUA estarem ficando fisicamente com menos barris em um ritmo muito mais acelerado do que algumas semanas atrás”.
A guerra iniciada em fevereiro no Oriente Médio já havia impactado significativamente o tráfego pelo estreito de Hormuz, um ponto crucial que antes movimentava cerca de um quinto dos suprimentos globais de petróleo e gás natural. A interrupção da produção em milhões de barris diários na região foi um dos primeiros reflexos.
O Irã tem restringido o tráfego marítimo pelo estreito, enquanto seus aliados houthis ameaçaram embarcações no estreito de Bab el-Mandeb, uma rota alternativa de exportação utilizada por países como a Arábia Saudita.
Mercado reage a dados de transporte marítimo
Apesar das tensões, dois superpetroleiros que transportavam petróleo carregado no golfo conseguiram sair do estreito de Hormuz na sexta-feira. No entanto, o tráfego pela via navegável permaneceu limitado, segundo dados de rastreamento de navios da Kpler.
Na véspera, 29 navios de carga passaram pelo estreito de Bab el-Mandeb. Ole Hvalbye, analista de mercado da SEB Research, observou que “o mercado deixou de negociar com base na guerra e passou a negociar com base nos dados de transporte marítimo”.
A alta de julho, a maior desde março, quando o Brent avançou 42,68% e o WTI 39%, demonstra a sensibilidade do mercado a eventos geopolíticos e à dinâmica de oferta e demanda global de petróleo.