Pague Menos Atinge Lucro Histórico com Gestão Eficiente e Redução de Dívidas: Entenda o Sucesso da Rede de Farmácias

Pague Menos celebra trimestre de ouro com rentabilidade recorde e alavancagem em baixa

A Pague Menos, rede de farmácias com sede em Fortaleza, divulgou resultados do segundo trimestre que, embora apresentem um crescimento nas vendas abaixo das expectativas do mercado, destacam uma significativa melhora na eficiência operacional. A companhia alcançou a maior margem EBITDA de sua história e reduziu consideravelmente seu endividamento, demonstrando uma gestão financeira robusta.

A receita líquida atingiu R$ 4,3 bilhões no período, um avanço de 9,3% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. As vendas em mesmas lojas, conhecidas como same-store sales (SSS), cresceram 8%. No entanto, esses números ficaram abaixo das projeções de analistas, que antecipavam um crescimento de receita próximo a 11,6% e de 8,3% nas vendas em lojas existentes.

Conforme informado pela administração da empresa, a performance deve ser analisada diante de uma base de comparação elevada, visto que a Pague Menos vinha registrando forte expansão em trimestres anteriores. A desaceleração na venda de medicamentos GLP-1, que antes impulsionavam o crescimento, e a menor abertura de novas lojas, também impactaram o ritmo de expansão física, conforme divulgado pela empresa.

Controle de Despesas Impulsiona Lucratividade Operacional

O grande destaque financeiro do trimestre para a Pague Menos foi a sua capacidade de otimizar custos e aprimorar a eficiência operacional. As despesas operacionais foram reduzidas para 24,1% da receita bruta, comparado a 24,5% no trimestre anterior. Essa pequena, porém relevante, redução teve um impacto substancial nos resultados, dada a magnitude da operação da rede.

A estratégia para alcançar essa melhora envolveu uma profunda revisão de gastos não diretamente atrelados às vendas. Foram analisados contratos de tecnologia, limpeza, logística, equipamentos e materiais utilizados nas lojas. Desde o início de 2024, a empresa realizou dezenas de processos de concorrência para renegociar contratos, resultando em significativas reduções de custos nessas áreas.

Outra medida importante foi a ampliação do controle centralizado de compras. Se no início do ano apenas cerca de 20% das aquisições passavam por uma área estruturada de procurement, atualmente esse percentual saltou para 85%. A meta é alcançar 95% até o final do ano, buscando aumentar o poder de negociação da rede e evitar gastos dispersos entre as unidades.

Pague Menos Alcança Margem EBITDA Histórica de 6,5%

O avanço no controle de despesas permitiu que a Pague Menos atingisse uma margem EBITDA recorde de 6,5%. O EBITDA, que mede a geração operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização, totalizou R$ 282 milhões no trimestre. Esse resultado superou a expectativa média do mercado, que projetava um EBITDA de aproximadamente R$ 271 milhões.

Na comparação anual, a margem EBITDA apresentou um aumento de 0,4 ponto percentual, aproximando a empresa de concorrentes de referência no setor farmacêutico brasileiro. Essa melhora operacional é vista como um passo crucial para consolidar a posição financeira da companhia em um mercado altamente competitivo e com forte pressão sobre as margens.

Geração de Caixa Melhora e Reduz Endividamento para Mínimas Históricas

A Pague Menos também demonstrou uma evolução expressiva na geração de caixa. No segundo trimestre, a empresa registrou um fluxo de caixa operacional de R$ 188 milhões, um valor aproximadamente três vezes superior ao do mesmo período do ano anterior. Nos últimos 12 meses, a geração operacional de caixa atingiu R$ 573 milhões, com uma conversão de 57% do EBITDA em caixa, índice superior à média do setor, estimada em cerca de 45%.

O fluxo de caixa livre também se manteve positivo, próximo a R$ 70 milhões. Segundo a companhia, essa melhora é resultado de uma combinação de fatores, incluindo menor uso de parcelamentos para clientes, melhores condições negociadas com fornecedores e maior agilidade na recuperação de créditos fiscais. Adicionalmente, a empresa trabalhou na redução de estoques de produtos com menor giro, liberando capital de giro.

A relação entre dívida líquida e EBITDA caiu para 1,8 vez ao final do trimestre, ficando abaixo do nível de duas vezes pela primeira vez nos últimos três anos. Essa redução da alavancagem representa um marco na estratégia financeira da companhia e atende a uma meta estabelecida pela administração, sendo o 12º trimestre consecutivo de diminuição desse indicador.

Expansão Futura em Ritmo Moderado e Foco no Digital

Apesar da sólida melhora financeira, a Pague Menos não planeja acelerar a abertura de novas lojas no momento. A estratégia da administração é manter um ritmo equilibrado, com a abertura de aproximadamente 50 novas unidades por ano. As prioridades atuais, segundo o CEO, incluem melhorias em logística, gestão de pessoas e tecnologia.

A presença digital da empresa também vem crescendo. O comércio eletrônico, que representava 21% das vendas no ano passado, agora responde por 24%. Esse avanço reforça a importância dos canais digitais no setor farmacêutico, especialmente com a mudança no comportamento do consumidor, que cada vez mais utiliza aplicativos e plataformas online para compras recorrentes.

Desempenho das Ações Ainda Gera Cautela entre Investidores

Apesar dos indicadores operacionais positivos, as ações da Pague Menos apresentaram um desempenho inferior ao de concorrentes nos últimos meses. No acumulado de 12 meses, os papéis registraram uma queda de 16%, enquanto outras empresas do setor tiveram valorização. Essa diferença no desempenho sugere que investidores ainda avaliam fatores como crescimento futuro, rentabilidade e a capacidade de competir em um mercado dominado por grandes redes. A empresa encerrou o período avaliada em aproximadamente R$ 2,35 bilhões na Bolsa de Valores.

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