Segunda fase da Operação Dirty Pix afasta secretários e vereadores em Sidrolândia por suspeitas de desvio de verbas hospitalares.
A Prefeitura e a Câmara Municipal de Sidrolândia, em Mato Grosso do Sul, foram abaladas pela segunda fase da Operação Dirty Pix. Dois secretários municipais e três vereadores foram afastados de suas funções por 180 dias. A investigação apura suspeitas de desvio de recursos destinados ao hospital da cidade, com valores que ultrapassam R$ 18 milhões.
A ação, deflagrada em 7 de outubro de 2026, também resultou em três prisões preventivas e 25 mandados de busca e apreensão em quatro municípios. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), as apurações focam em convênios e recursos relacionados à saúde.
É importante ressaltar que os afastamentos e prisões são medidas cautelares e não configuram condenação. O objetivo é esclarecer a participação de cada indivíduo e o destino dos fundos que deveriam ser aplicados em equipamentos, materiais e melhorias hospitalares. Conforme informação divulgada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a investigação busca detalhar o caminho das transferências e a eventual participação individual dos envolvidos.
Quem são os afastados na Prefeitura e na Câmara?
Na esfera municipal, foram afastados Enelvo Iradi Felini Junior, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, e Cleyton Martins Teixeira, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O prefeito Rodrigo Basso oficializou os afastamentos por 180 dias em decreto publicado no Diário Oficial municipal. Durante este período, o prefeito assumirá a ordenação de despesas das pastas.
Além disso, José Ademir Gabardo foi exonerado do cargo comissionado de assessor de Serviços Especializados. Essa exoneração administrativa é distinta do afastamento judicial.
Na Câmara Municipal de Sidrolândia, três vereadores foram afastados de suas funções por 180 dias. Essa medida impede temporariamente o exercício do mandato, mas não equivale à cassação nem antecipa o resultado da investigação criminal. A composição da Câmara será alterada com a convocação dos suplentes, conforme a ordem de suplência informada pela imprensa local.
Prisões e o nome da Operação Dirty Pix
A segunda fase da operação resultou na prisão do presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, Jacob Meeuvis Breure, da policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho, e do assessor político Júlio César Alves da Silva. As buscas ocorreram em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria.
A operação, conduzida pelo Ministério Público e grupos especializados como o Gecoc e o Gaeco, recebeu apoio da Polícia Militar e da Corregedoria-Geral da Polícia Civil. O nome Dirty Pix faz referência a transferências financeiras que teriam sido usadas para movimentar valores de origem ilícita, em um esquema que também foi apelidado de “Máfia do Pix” na mídia. O MPMS informou que uma empresa fornecedora realizou transferências via Pix diretamente para investigados ou por meio de terceiros na primeira fase da operação.
Como o suposto esquema funcionava e o que está sob análise?
A investigação iniciou com suspeitas de desvio em recursos públicos destinados à aquisição de um aparelho de ressonância magnética e uma autoclave hospitalar. Os valores estavam ligados a um convênio entre o poder público e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, gestora do hospital.
Após a primeira fase da Dirty Pix, os investigadores encontraram indícios de que a mesma prática se repetiu em outros convênios. As apurações agora abrangem recursos para compra de equipamentos, materiais, uma unidade de terapia intensiva móvel e obras de reforma, totalizando valores superiores a R$ 18 milhões. O MPMS aponta suspeitas de superfaturamento e direcionamento de contratações para empresas específicas.
Segundo o MPMS, planos de trabalho dos convênios continham informações fraudulentas. Após o recebimento dos recursos pela entidade hospitalar, parte do dinheiro teria sido desviada para contas de agentes políticos, articuladores e terceiros. A investigação também busca identificar práticas destinadas a dificultar o andamento das apurações.
Prisão Preventiva: O que significa?
É fundamental entender que a prisão preventiva é uma medida cautelar determinada durante a investigação ou processo, mediante requisitos legais. Sua decretação não substitui o julgamento nem comprova, por si só, a responsabilidade criminal do investigado. O mesmo se aplica aos mandados de busca e apreensão, que permitem a coleta de provas, mas a conclusão sobre os fatos depende da análise completa das evidências.
A primeira fase da Operação Dirty Pix, deflagrada em 18 de novembro de 2025, cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Sidrolândia e Manaus, investigando um desvio de R$ 5,4 milhões e suspeitas de peculato, corrupção e lavagem de dinheiro. A segunda fase amplia o escopo da investigação para outros convênios.




