Onda de Calor na Espanha: Junho Mais Quente Já Registrado Causa Mais de 1 Mil Mortes em Excesso, Alerta Ministério da Saúde

Ondas de calor se tornam mais frequentes e intensas na Espanha, com junho de 2024 registrando um número alarmante de mortes e recordes de temperatura.

A Espanha registrou um número chocante de 1.029 mortes em excesso no mês de junho, um dado oficial divulgado nesta quarta-feira que liga diretamente o aumento da mortalidade às temperaturas elevadíssimas. Uma onda de calor intensa, que durou cinco dias e viu os termômetros ultrapassarem a marca dos 40 graus Celsius, transformou o mês de junho no segundo mais quente já registrado no país.

Os dados, provenientes do sistema de monitoramento diário de mortalidade do Ministério da Saúde, o MoMo, revelam que junho de 2024 apresentou o maior número de óbitos atribuídos ao calor desde o mesmo período em 2015. O calor extremo se tornou uma preocupação cada vez maior para a saúde pública na Europa.

A agência meteorológica espanhola, AEMET, informou que as temperaturas médias em junho ficaram 3,2 graus acima do normal. Este cenário climático preocupante posiciona o último junho como o segundo mais quente já documentado, atrás apenas de junho de 2025. A tendência de aquecimento é clara e alarmante.

População exposta a riscos severos devido ao calor extremo

O pico da onda de calor, que ocorreu em 23 de junho, colocou uma parcela significativa da população espanhola em situação de risco. Estima-se que 35,7 milhões de pessoas, o que representa cerca de 73% da população total do país, estiveram expostas a riscos à saúde devido às altas temperaturas. Deste total, alarmantes 38% enfrentaram um risco elevado.

Essa exposição massiva a condições climáticas adversas levanta sérias preocupações sobre a capacidade dos sistemas de saúde em lidar com as consequências. A saúde pública é diretamente impactada por eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

Ondas de calor no início do verão: um fenômeno crescente

Um dado alarmante revelado pela AEMET é a crescente frequência de ondas de calor em junho. Desde 1975, a Espanha registrou 12 ondas de calor neste mês, sendo que metade delas ocorreu na última década. Essa concentração em um período recente é um forte indicativo das mudanças climáticas em curso.

Além disso, os 13 meses de junho mais quentes desde que os registros começaram em 1961 aconteceram todos no século XXI. Essa estatística reforça a ideia de que o aquecimento global está intensificando os eventos climáticos extremos. O porta-voz da AEMET, Ruben del Campo, confirmou que as ondas de calor estão surgindo no início do verão com uma frequência maior do que no passado.

Recordes de temperatura quebrados em todo o país

O mês de junho foi marcado por uma avalanche de recordes de temperatura. Entre os dias 1º e 30 de junho, 165 recordes de temperatura máxima foram quebrados em estações de medição locais. Desses, 145 eram recordes mensais e 20 eram recordes históricos absolutos. A AEMET também relatou a quebra de 225 recordes de temperatura mínima mais alta, com 180 sendo mensais e 45 históricos.

A primeira onda de calor do verão de 2024 foi particularmente notável no norte do país, não apenas pela sua intensidade, mas também pela sua duração e persistência. Esses fatores contribuíram para o aumento das mortes em excesso e para a exposição prolongada da população a condições perigosas. A situação exige atenção e medidas de adaptação urgentes.

Conforme informação divulgada pela Reuters, os dados oficiais do Ministério da Saúde da Espanha evidenciam a gravidade da situação climática e seus impactos diretos na vida da população, reforçando a necessidade de ações concretas para combater as mudanças climáticas.

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