O ‘Bolinho’, Ícone de BH, Ganha Exposição Imersiva no Palácio das Artes: Uma Celebração Visual da Memória Urbana

Habitante – Registros de um Bolinho pela Cidade: A Arte que Marca Belo Horizonte
Belo Horizonte, a capital mineira, é inconfundível com a presença vibrante do “Bolinho”, um personagem que transcendeu o grafite e se tornou um verdadeiro símbolo da cidade. Agora, essa figura icônica ganha destaque em uma exposição especial no Palácio das Artes, um dos mais importantes centros culturais de Minas Gerais.
A mostra “Habitante – Registros de um Bolinho pela Cidade” convida o público a refletir sobre como uma imagem simples pode se enraizar na memória coletiva e se tornar a “cara” de uma metrópole. A exposição, que já é um sucesso, explora a jornada do Bolinho de um desenho a um ícone cultural reconhecido.
A familiaridade que os belo-horizontinos têm com o Bolinho, que completa 17 anos de existência, é o ponto de partida para esta imersiva experiência artística. A exposição, realizada com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte e patrocínio da Bs2, é uma oportunidade única de mergulhar na história e no impacto visual deste personagem. Conforme divulgado pelo Diário do Comércio, a visitação ocorre até o dia 13 de setembro, com entrada franca.
A Criação de um Ícone Urbano
Criado em 2009 por Maria Raquel Alves Couto, agora conhecida como Raquel Bolinho, o personagem nasceu da experimentação com o grafite nas ruas de Belo Horizonte. Inicialmente inspirado no formato de um cupcake, o desenho evoluiu, ganhou novas expressões e passou a comentar o cotidiano da cidade. Ao longo dos anos, o Bolinho se espalhou por milhares de muros, não só em BH, mas também em outras cidades brasileiras e em países como Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Argentina e Holanda.
A Repetição como Chave do Reconhecimento
A exposição parte de uma questão fundamental: como uma imagem se torna parte integrante da memória de uma cidade? A resposta, segundo a artista Raquel Bolinho, reside na constante repetição. “Fiquei pensando no que tornou o Bolinho um ícone. Acho que foi essa repetição constante durante 17 anos”, explica a artista. A observação de que o personagem é visto em diversos locais, desde sacolas de supermercado até fachadas de prédios, reforça a ideia de que a familiaridade é construída através da exposição contínua.
Essa percepção se fortaleceu quando a artista percebeu que as pessoas já não precisavam ver o personagem completo para identificá-lo. Um detalhe, como uma silhueta ou mesmo uma parte específica do desenho, era suficiente para ativar a memória visual. Essa ideia orienta toda a narrativa da mostra, onde o Bolinho aparece em diferentes formas, inteiramente visível, fragmentado ou apenas sugerido.
Uma Experiência Multissensorial e Interativa
A mostra “Habitante” é estruturada em cinco ambientes distintos, onde pinturas, esculturas, instalações e trabalhos interativos convidam o visitante a explorar o conceito de reconhecimento visual. Em alguns espaços, o Bolinho surge em sua totalidade, enquanto em outros, apenas um elemento icônico, como uma cereja ou um conjunto de cores, é o gatilho para a lembrança. Essa abordagem interativa busca evidenciar como a repetição e a familiaridade moldam nossa percepção do espaço urbano.
O Palácio das Artes como Palco Cultural
A escolha do Palácio das Artes para sediar a exposição “Habitante” sublinha a importância do Bolinho como um elemento cultural significativo para Belo Horizonte. A PQNA Galeria Pedro Moraleida se transforma em um palco para essa celebração artística, oferecendo ao público uma oportunidade única de interagir com a obra de Raquel Bolinho e refletir sobre o poder da arte na construção da identidade de uma cidade. A entrada gratuita torna a exposição acessível a todos os interessados em conhecer mais sobre este ícone belo-horizontino.