Nunes Marques aponta falhas na prorrogação do horário de votação e defende planejamento prévio
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, manifestou sua insatisfação com a forma como a prorrogação do horário de votação no segundo turno das eleições foi conduzida. Segundo ele, a mudança, embora acatada, **gerou dificuldades operacionais** em um momento crucial do processo eleitoral.
A declaração do ministro ocorreu após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. A apuração de 99,99% das seções eleitorais indicava 51,79% dos votos válidos para Lula contra 48,21% para Flávio Bolsonaro (PL). Essa decisão judicial, que ampliou o tempo de votação, **foi motivada por pedidos das campanhas** dos dois candidatos.
Nunes Marques enfatizou que uma alteração no horário de votação, especialmente em um dia de eleição, **exige planejamento detalhado, cálculos precisos e uma coordenação impecável** entre todos os órgãos envolvidos. Ele ressaltou que, apesar dos obstáculos, as medidas necessárias foram tomadas e reafirmou sua confiança na segurança e integridade do processo eleitoral brasileiro.
Justificativas para a ampliação do horário de votação
A ampliação do horário de votação foi solicitada por ambas as campanhas presidenciais. Inicialmente, a equipe de Lula pediu providências devido a relatos de **problemas no transporte de eleitores** em municípios da Bahia, como Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. A alegação era que a escassez de ônibus poderia impedir que muitos cidadãos chegassem às urnas.
Posteriormente, a campanha de Flávio Bolsonaro também solicitou a extensão do horário de votação em localidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. O motivo alegado foram as **condições climáticas adversas** que poderiam dificultar o deslocamento dos eleitores. Diante desses pedidos, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a ampliação por duas horas.
Dificuldades operacionais e falhas de comunicação
A decisão judicial, no entanto, **provocou dificuldades operacionais significativas**, principalmente na comunicação da nova determinação às equipes responsáveis pelas seções eleitorais. Relatos de mesários em diversas capitais indicaram que algumas unidades já haviam encerrado os trabalhos no horário originalmente previsto, às 17h, **impedindo a aplicação uniforme da extensão do horário**.
Essa disparidade gerou questionamentos sobre a viabilidade de implementar mudanças dessa magnitude com a votação já em andamento. O ministro Nunes Marques reconheceu que a **falta de planejamento prévio contribuiu para as falhas de comunicação** e para as diferenças na execução da medida. Ele defende que tais alterações devem ser comunicadas de forma rápida e clara a todos os envolvidos.
Contestação do resultado e comparação com o primeiro turno
Após a divulgação dos resultados, Flávio Bolsonaro declarou que **não reconhecia o resultado eleitoral** e anunciou a intenção de solicitar a anulação da eleição, argumentando que a ampliação do horário alterou as regras durante o pleito. Essa contestação, contudo, representa uma manifestação política, e um pedido de anulação requer fundamentação jurídica e provas concretas.
Um ponto positivo destacado por Nunes Marques foi a **redução da abstenção** em comparação com o primeiro turno. O comparecimento eleitoral é um indicador importante, pois reflete a participação ativa dos cidadãos no processo democrático. Embora a abstenção isoladamente não defina um resultado, sua variação pode influenciar a distribuição dos votos e o comportamento do eleitorado, sendo crucial para a análise completa do pleito.




