Mosaic Fertilizantes amarga prejuízo de US$ 422 milhões com paralisações em Minas Gerais, levando ativos a leilão
A Mosaic Fertilizantes registrou um prejuízo operacional de impressionantes US$ 422 milhões no primeiro trimestre deste ano. Este resultado negativo é diretamente atribuído à decisão da empresa de paralisar suas operações em Araxá e Patrocínio, localizadas no Alto Paranaíba, em Minas Gerais.
A paralisação gerou encargos que somaram US$ 442 milhões, um contraste gritante com o lucro operacional de US$ 98 milhões obtido no mesmo período do ano anterior. Os números foram divulgados pela controladora Mosaic Company, que reportou um prejuízo líquido de US$ 258 milhões nos primeiros três meses de 2026, revertendo o lucro líquido de US$ 238 milhões de um ano antes.
A situação reflete um momento delicado para a companhia no Brasil, levantando questões sobre a estratégia futura e o impacto na economia local. A decisão de suspender as atividades e colocar ativos à venda sinaliza uma reestruturação profunda. Conforme informação divulgada pela Mosaic Company, os encargos incluem baixas contábeis de ativos, indenizações e rescisões contratuais, totalizando entre US$ 350 milhões e US$ 400 milhões.
Custos adicionais e margens menores impactam resultados
O impacto financeiro total no primeiro trimestre foi ampliado por custos adicionais relacionados à depreciação acelerada e despesas com instalações ociosas. Segundo a Mosaic Company, esses custos continuarão a ser sentidos no segundo trimestre. Dos US$ 442 milhões em encargos, US$ 328 milhões são despesas não monetárias.
Além dos encargos com a paralisação, os resultados da Mosaic Fertilizantes foram afetados por margens de produção menores. O aumento nos custos do enxofre, um insumo crucial, pressionou os resultados, sendo parcialmente compensado por preços mais altos do fosfato. O Ebitda ajustado da companhia recuou 35,2%, chegando a US$ 79 milhões, e a margem bruta por tonelada retraiu 68,1%, para US$ 22.
Ativos em Minas Gerais colocados à venda
Em abril, a Mosaic Company anunciou oficialmente a suspensão das atividades no Complexo de Mineração de Patrocínio e a desmobilização do Complexo Mineroquímico de Araxá, com a intenção de vender os ativos em Araxá. A decisão visa a redução de custos e a realocação de capital para áreas com maior potencial de retorno financeiro.
Bruce Bodine, presidente e diretor-executivo da Mosaic Company, afirmou na época que paralisar as instalações e buscar uma possível venda era o caminho correto a seguir. As operações no Alto Paranaíba já haviam enfrentado interrupções temporárias no ano anterior, devido à alta nos preços internacionais do enxofre.
Demissões e interesse de mercado pelos ativos
Embora a Mosaic não tenha divulgado o número exato de trabalhadores afetados, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Extração Mineral, Químicas e de Fertilizantes de Araxá e Região (Sima) estima que o encerramento das atividades em Araxá possa levar a mais de 1.200 demissões. A notícia gerou apreensão entre os trabalhadores e a comunidade local.
Os ativos da Mosaic Fertilizantes em Araxá já começam a atrair o interesse do mercado. A St George Mining, que desenvolve projetos de nióbio e terras-raras no município, indicou no final do mês passado seu interesse no empreendimento, sinalizando uma possível continuidade das atividades na região sob nova gestão.





