Moda mineira sente o baque: queda nas vendas e briga acirrada com gigantes estrangeiros
O vibrante setor da moda em Minas Gerais, um pilar importante da economia estadual, enfrenta um período de **instabilidade e queda expressiva nas vendas**. A situação se agrava com a **competição desigual** imposta por plataformas internacionais, que oferecem agilidade e condições vantajosas, impactando diretamente as empresas locais.
Dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG) revelam um cenário preocupante. Em julho de 2026, o volume de vendas de tecidos, vestuário e calçados em Minas Gerais acumulava uma **retração de 5,1% em 12 meses**, um índice significativamente maior que a média nacional de 1,4%.
Este desempenho é especialmente alarmante considerando o peso do setor na economia mineira. A moda representa **15% do comércio local**, envolvendo cerca de 67 mil empresas formais e gerando 80 mil empregos diretos. Conforme aponta a economista da Fecomércio, Fernanda Gonçalves, a revogação da “taxa das blusinhas” teve um impacto imediato e negativo. “A falta de taxação não afeta só o comércio e o varejo, afeta a indústria também”, observa.
A “Taxa das Blusinhas”: um alívio temporário e um impacto duradouro
A introdução da “taxa das blusinhas”, que tributava compras internacionais de até US$ 50, trouxe um **fôlego para o segmento da moda mineira** há cerca de dois anos. Durante esse período, as vendas apresentaram um desempenho melhor, superando a média nacional. No entanto, a recente revogação dessa taxação resultou em uma **queda acentuada nas vendas**, revertendo os ganhos e deixando o setor em uma posição mais vulnerável.
“Ao observarmos o caminho de tendência da moda de 2024 em diante, notamos que o setor passou a ter um desempenho melhor principalmente a partir da taxação de produtos de até US$ 50. Como Minas tem uma representatividade maior do que a média nacional, o estado tende a sentir mais esses impactos, tanto na indústria quanto no varejo”, explica Fernanda Gonçalves.
A economista detalha que, após a taxação em agosto de 2024, houve uma tendência menos negativa, com desempenho acima da média nacional até meados de 2025. Contudo, de novembro a dezembro do mesmo ano, ocorreu uma **queda mais acentuada**, tornando o cenário mais negativo do que o registrado nacionalmente com a retirada da tributação.
Desafios e estratégias para a moda de Minas Gerais
O setor da moda em Minas Gerais representa cerca de 5,2% dos estabelecimentos do estado, superando a média nacional de 4,4%. No comércio, essa participação é ainda mais expressiva, com **aproximadamente 15% do comércio mineiro ligado à moda**, contra 13,6% da média brasileira. Isso evidencia a **importância estratégica** do segmento para a economia mineira.
O principal desafio para os empresários do setor é **equilibrar competitividade e rentabilidade** em um cenário de consumo mais cauteloso e concorrência acirrada, especialmente no comércio digital internacional. Isso exige investimentos em produtividade, inovação, diferenciação de produtos e uma gestão empresarial mais eficiente.
O poder do digital e da logística para competir com gigantes estrangeiros
A economista Fernanda Gonçalves ressalta a necessidade de **investir no digital**. “Quem tem comércio físico deve sempre conectá-lo ao digital, colocar os produtos nas redes sociais, mostrar o diferencial do produto e também do atendimento”, aconselha. A criação de **plataformas especializadas** e o uso intensivo de redes sociais são ferramentas cruciais.
Além disso, oferecer um **frete mais rápido e uma logística eficiente** pode ser um diferencial competitivo importante. Muitas plataformas chinesas enfrentam desafios para entregar produtos em tempo hábil, algo que as empresas mineiras podem superar com inovação e agilidade. “Aqui, com logística e inovação, é possível entregar mais rápido que essas plataformas”, observa a economista.
A **alta carga tributária** também é apontada como um entrave para a competitividade do setor. A combinação de estratégias digitais, logística aprimorada e a comunicação eficaz com o consumidor, destacando a **qualidade e a rapidez na entrega** de produtos locais, é vista como um caminho para tornar a moda mineira mais resiliente e competitiva no mercado.




