Ministro da Fazenda alerta: Temor de que Pix seja associado a facções e sofra sanções dos EUA

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, revela receio de sanções americanas ao Pix e possível associação com facções criminosas.
O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou preocupação com um possível temor de que o sistema de pagamentos instantâneos, o Pix, venha a ser vinculado a facções criminosas. Essa associação, segundo o ministro, poderia levar o Brasil a sofrer sanções por parte do governo dos Estados Unidos.
A declaração foi feita em entrevista à Globonews, onde Durigan explicou que o receio em relação ao Pix ganhou força devido a questionamentos que o sistema já enfrenta nos Estados Unidos, especialmente desde o início da gestão de Donald Trump. O Pix já é, inclusive, alvo de uma importante investigação comercial contra o Brasil.
Durigan detalhou o cenário de risco, afirmando que “pode se considerar, a partir de alguma informação que chegue aos Estados Unidos, que as facções criminosas estão usando o Pix. Assim, que haja um ataque ao Pix, uma suspensão, e que empresas que usem o Pix sofram punições”. Ele assegurou, no entanto, que o governo fará “todo o esforço e não haverá prejuízo ao uso do Pix pela população brasileira”.
Impacto potencial e cooperação internacional
Técnicos do governo ouvidos pela Folha de S.Paulo indicam que um impacto sobre o Pix só ocorreria em um cenário extremo, caso as autoridades americanas entendam que a ferramenta facilita a movimentação financeira de grupos criminosos. Essa preocupação surge logo após os Estados Unidos decidirem classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, com a medida entrando em vigor em 5 de junho.
O ministro Durigan ressaltou que essa classificação pode comprometer a economia brasileira, potencialmente levando a uma queda no investimento estrangeiro direto. Há também o receio de que se impute ao Brasil, de forma artificial, um risco que não condiz com a realidade anterior.
Diante desse quadro, o Ministro da Fazenda defendeu uma maior cooperação entre as autoridades brasileiras e americanas no combate ao crime organizado. Ele citou a operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis e no sistema financeiro, como um exemplo de que as forças policiais do Brasil já estão atuando ativamente contra as facções criminosas.
Diálogo com o setor financeiro
Durigan informou que a equipe da Fazenda e o Banco Central têm mantido conversas com o sistema financeiro desde a quinta-feira (28). O objetivo dessas discussões é garantir que não haja uma diminuição nas notas de classificação de risco e que bancos e fintechs não sofram impactos negativos.
A preocupação do governo é demonstrar aos Estados Unidos que o Brasil está empenhado no combate ao crime e na segurança do sistema financeiro, minimizando a possibilidade de sanções que afetem o funcionamento e a credibilidade do Pix, um instrumento essencial para as transações no país.