Minas Gerais se consolida como centro de excelência em inovação, impulsionado por investimentos recordes e parcerias estratégicas.
O cenário de fomento à inovação em Minas Gerais nunca foi tão promissor. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) registra um período de alta, com repasses constitucionais significativos, posicionando o estado na vanguarda dos investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I).
Este impulso se reflete em programas inovadores e editais que visam descentralizar o apoio e solucionar desafios ambientais, fortalecendo o ecossistema empreendedor e de pesquisa mineiro. A colaboração entre o setor público e privado, juntamente com instituições de ensino e pesquisa, é a chave para este crescimento.
Conforme divulgado pelo Diário do Comércio, o estado se destaca por concentrar um número expressivo de universidades federais e unidades da Embrapii, além de contar com iniciativas como o Órbi ICT, que articula pesquisa, formação e desenvolvimento de soluções inovadoras.
Fapemig Lidera Investimentos em CT&I em Minas Gerais
A Fapemig tem sido um pilar fundamental nesse avanço, sendo responsável por uma parcela substancial do investimento total em CT&I no estado. Em 2024, a agência mineira superou o desempenho de órgãos federais como a Finep e o CNPq em solo mineiro, demonstrando a força e a capacidade de gestão dos recursos públicos estaduais para o fomento à pesquisa e inovação.
Programas como o Seed (Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development) buscam democratizar o acesso a recursos, descentralizando a política de aceleração para 12 mesorregiões. O objetivo é permitir que ambientes de inovação locais gerenciem fundos de até R$ 100 mil por startup, fomentando o empreendedorismo em todo o estado.
Editais Inovadores e Foco em Sustentabilidade
Outra iniciativa de destaque é o edital Minas Pelo Clima, que convoca a sociedade para apresentar soluções tecnológicas voltadas para os desafios ambientais enfrentados pelo estado. A modalidade de subvenção econômica, conhecida como “dinheiro a fundo perdido”, exige rigorosa prestação de contas, mas representa uma oportunidade única para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis.
A diretora de Fomento à Inovação do Órbi ICT, Janayna Bhering, ressalta a importância de as empresas estarem atentas aos prazos e exigências dos editais, especialmente em ano eleitoral. “Quem chega primeiro, bebe a água limpa”, afirma, enfatizando que editais federais são oportunidades para as empresas se tornarem mais competitivas e atuarem na vanguarda do conhecimento.
Ecossistema Robusto e Atração de Talentos
Minas Gerais possui um ecossistema de inovação robusto, sendo o estado com o maior número de universidades federais no Brasil, totalizando 11 instituições. Além disso, conta com 14 unidades da Embrapii e dois centros de competência da mesma entidade, consolidando-se como o segundo estado com mais unidades Embrapii no país.
Esse ambiente propício, somado à qualificação da mão de obra local, tem sido um diferencial para atrair investimentos. Iniciativas como o Compete Minas e o Come to Minas buscam consolidar Belo Horizonte e o estado como um hub de tecnologia e inovação, atraindo centros de Pesquisa e Desenvolvimento de empresas de fora.
Parcerias Estratégicas Fortalecem o Setor
A colaboração entre instituições é crucial para o sucesso do ecossistema. Um exemplo é o acordo de cooperação técnica firmado entre a Fundação Dom Cabral e o Órbi ICT. Essa parceria une a excelência acadêmica da FDC com a vocação do Órbi ICT para a inovação aberta, integrando startups, grandes empresas, investidores e pesquisadores.
Sabrina Oliveira, diretora de Educação do Órbi ICT, destaca que a educação é a base para qualquer transformação sustentável. “A tecnologia, como a IA generativa e tantas outras, não é mais um diferencial, é linguagem”, pontua, ressaltando a importância de formar pensadores críticos e analíticos para lidar com decisões complexas e gerar valor real.
Desafios e Oportunidades para Empresas
Apesar do ambiente favorável, Janayna Bhering aponta que a maturidade das empresas ainda é um gargalo. Muitas desconhecem as oportunidades de fomento ou não possuem a capacidade técnica para elaborar propostas que atendam às exigências dos editais, como a necessidade de profissionais com mestrado e doutorado em seus quadros.
A orientação é que as empresas estejam preparadas, pois o recurso público está disponível e o ecossistema está maduro. A inovação aberta e a busca por parcerias com Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) são caminhos essenciais para aproveitar as oportunidades e se manterem competitivas em ciclos tecnológicos cada vez mais curtos.





