Mandioca na Mineração: Projeto Inovador de R$ 15 Milhões Transforma Raiz em Insumo Estratégico em Minas Gerais - Brasa Noticias

Mandioca na Mineração: Projeto Inovador de R$ 15 Milhões Transforma Raiz em Insumo Estratégico em Minas Gerais

Projeto “Raiz Viva” revoluciona a mineração em Minas Gerais ao utilizar mandioca como insumo crucial, prometendo benefícios econômicos e ambientais.

A tradicional mandioca, alimento básico na mesa dos brasileiros, está prestes a ganhar um novo papel na indústria. Um ambicioso projeto de R$ 15 milhões, batizado de “Raiz Viva”, visa transformar o tubérculo em um insumo essencial para o setor de mineração em Minas Gerais, um mercado que movimentou R$ 119,2 bilhões em 2025.

A iniciativa, lançada recentemente, concentrará seus esforços na construção de uma unidade produtiva em Antônio Pereira, distrito de Ouro Preto. O objetivo é fabricar raspa de mandioca pulverizada, um material com grande potencial para o beneficiamento mineral.

Conforme divulgado pelo Diário do Comércio, a raspa de mandioca será empregada como depressor na flotação catiônica reversa. Este processo é fundamental na mineração para a separação de impurezas, como areia e sílica, do minério de ferro extraído.

Mandioca como alternativa sustentável e econômica

Amarildo Pereira, diretor-presidente da Benviva Agroindústria e idealizador do projeto, explica que a raspa de mandioca pode substituir ou complementar insumos convencionais, como o amido de milho. Ele destaca vantagens técnicas, econômicas e ambientais significativas nesse processo.

“O milho é uma commodity com oscilação frequente de preços. Ele também libera grande teor de óleo, o que pode prejudicar equipamentos, demandando manutenções constantes”, aponta Pereira, ressaltando as limitações do insumo tradicional.

O projeto “Raiz Viva” inova ao propor o aproveitamento integral da raiz de mandioca, incluindo a casca, na produção da raspa pulverizada. Essa abordagem simplifica o processo produtivo da fécula de mandioca, que já é utilizada por algumas mineradoras, e minimiza a geração de resíduos sólidos, alinhando-se aos princípios da economia circular e sustentabilidade.

Fomentando a produção local e o impacto socioeconômico

Para o sucesso do projeto em Minas Gerais, Amarildo Pereira enfatiza a necessidade de criar uma cultura produtiva local, com o fomento de cooperativas e fornecedores. Dados da Embrapa indicam que, em 2024, Minas Gerais ocupava a 10ª posição na produção de mandioca, com 561,7 toneladas anuais, representando apenas 2,95% da produção nacional.

Atualmente, mineradoras que utilizam fécula de mandioca precisam importar o insumo do Paraná, estado líder na produção da raiz. “Isso não gera impacto econômico positivo para Minas, pois toda a vantagem de recursos fica no Sul do País”, afirma Pereira.

A meta é produzir 330 toneladas mensais de raspa de mandioca pulverizada, com a expectativa de que cada 3,5 toneladas de mandioca in natura resultem em uma tonelada de produto final. O projeto já conta com a adesão de quatro municípios da Região Central mineira, onde a mineradora Samarco é parceira confirmada.

“Vamos iniciar um trabalho de identificação de possíveis fornecedores em um raio de até 100 quilômetros da indústria, no distrito de Antônio Pereira”, complementa. A iniciativa também possui um termo de parceria com o governo de Minas Gerais.

Transformação e novas oportunidades para os territórios

Amarildo Pereira ressalta o impacto socioeconômico como o principal diferencial do projeto, combatendo o êxodo rural em regiões dependentes da mineração. “A partir do momento em que fomentamos uma atividade, outras surgem. Será necessário, por exemplo, uma oficina para manutenção de equipamentos, um restaurante para atender aos trabalhadores, ou seja, mais geração de renda para as cidades”, explica.

Em 18 meses, a indústria em Antônio Pereira deve adquirir a raiz exclusivamente de cooperativas, fortalecendo os pequenos produtores. A expectativa é expandir o atendimento para outras grandes mineradoras, como Vale e Anglo American, e abrir três novas indústrias nos próximos dez anos em Conceição do Mato Dentro e no Vale do Jequitinhonha.

Guilherme Louzada, especialista em relacionamento institucional da Samarco, corrobora a visão de Amarildo Pereira. Ele afirma que o desenvolvimento da cadeia produtiva da mandioca representa uma oportunidade concreta de transformação nos territórios onde a mineradora atua, gerando renda e fortalecendo pequenos produtores.

Louzada destaca ainda que a diversificação da economia local, a redução do transporte rodoviário do insumo e a consequente diminuição das emissões de carbono são benefícios adicionais. “É a mineração trabalhando a favor da agroindústria”, conclui.

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Welbert Lucas de Oliveira
Welbert Lucas de Oliveira

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