Lula exalta Janja e promete fim da escala 6×1 em ato de mulheres em BH com protesto de petistas

Lula exalta Janja e promete fim da escala 6×1 em ato de mulheres em BH com protesto de petistas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de um encontro voltado ao eleitorado feminino em Belo Horizonte, onde abordou a importância da participação das mulheres na política e anunciou planos para o fim da escala de trabalho 6×1.

Durante o evento, Lula fez elogios à primeira-dama Janja e celebrou conquistas para as mulheres. No entanto, o ato também foi marcado por protestos de militantes do próprio PT, que expressaram descontentamento com a gestão de recursos de campanha.

O evento, realizado na Serraria Souza Pinto, contou com a presença de diversas aliadas políticas e teve como um dos pontos centrais a defesa da igualdade de gênero e o fortalecimento da participação feminina nos espaços de decisão. Conforme informação divulgada pela Folhapress, o presidente sinalizou a intenção de aprovar o fim da escala 6×1 já na semana seguinte.

Fim da escala 6×1 e elogios a Janja

Em seu discurso, Lula enfatizou a necessidade de mais tempo para que as pessoas possam cuidar de suas vidas pessoais, familiares e de lazer. “Nós vamos aprovar nessa semana o fim da escala 6×1 para que as mulheres e os homens tenham mais tempo de cuidar da sua vida própria, das crianças, e mais tempo pra namorar também, porque ninguém pode ficar correndo, tendo pressa”, declarou o presidente.

O presidente também dedicou parte de sua fala a exaltar políticas públicas voltadas para as mulheres implementadas em seu governo. Lula mencionou sua mãe, a quem chamou de “heroína”, e destacou o papel de Janja, afirmando que a primeira-dama o fortalece “política e ideologicamente”.

Em um momento de lapso, Lula chegou a confundir a atual esposa com sua falecida ex-mulher, Marisa Letícia. “Eu perdi minha primeira mulher com dois anos de casado, depois perdi a Janja, depois de 45 anos de casado”, disse, corrigindo-se em seguida. “Quando pensei que a minha vida não tinha mais sentido, Deus colocou no meu caminho a Janja, que me faz ser um homem pleno”, completou, sob aplausos.

Protesto de militantes do PT

Apesar do tom celebratório, o evento não foi isento de tensões. Militantes do PT ergueram uma faixa com críticas à sigla, expressando insatisfação com a distribuição de recursos para as campanhas. A mensagem principal era de que “mulheres do PT-MG não aceitam serem tratadas como laranjas”.

Um manifesto entregue à imprensa, assinado por 13 deputados federais e estaduais do partido, reforçou a queixa. “Destinar recursos ínfimos e irrisórios configura a mais grave instrumentalização da mulher na política”, afirmaram as signatárias, referindo-se à disputa por verbas de campanha.

A ex-prefeita de Contagem e candidata do PT ao Senado, Marília Campos, também presente, havia criticado anteriormente a legenda por lançar candidatura própria ao Governo de Minas Gerais, classificando a decisão como um “equívoco estratégico”.

Presenças e dados sobre participação feminina

O ato contou com a participação de diversas figuras políticas femininas, como Manuela d’Ávila (PSOL-RS) e Soraya Thronicke (PSB-MS), candidatas ao Senado, além de ministras e secretárias de governo. Três mulheres beneficiadas por políticas públicas da gestão atual também discursaram.

Um vídeo narrado por Janja foi exibido, no qual ela se apresenta como “mais uma Silva” e defende as mulheres como “guardiãs da democracia”. O candidato a governador Patrus Ananias (PT) também discursou, destacando a omissão de gestões estaduais anteriores no combate à violência de gênero. Conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, Minas Gerais é o segundo estado com mais feminicídios no Brasil.

Lula, que destacou a predominância feminina no palanque, fez um apelo para que as mulheres votem para reduzir a desigualdade no Legislativo. “Vocês são a maioria. Por que vocês têm que ser representadas por homens?”, questionou. O presidente informou que o governo busca atingir “50% ou mais” de participação feminina em cargos de gestão, reconhecendo que os atuais “38%” ainda são “pouco”.

Apesar de iniciativas como a lei de igualdade salarial e o pacto nacional de prevenção aos feminicídios, a gestão petista ainda enfrenta críticas por declarações consideradas machistas e a baixa presença feminina em ministérios em seu último mandato. Segundo pesquisa Datafolha de 21 de agosto, Lula lidera entre as mulheres com 51% das intenções de voto.

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