Lula e Flávio Bolsonaro: Alívio Petista vs. Insatisfação em Crescimento Segundo Datafolha

Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro divergem em interpretações de pesquisa Datafolha sobre intenções de voto e cenário eleitoral.
A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (21), gerou reações distintas nas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Enquanto o grupo petista relata um sentimento de alívio diante da estabilidade de Lula em meio a um momento de desgaste, a equipe do senador Flávio Bolsonaro avalia que ele se consolida como a principal alternativa para derrotar o petista, diminuindo a distância no primeiro turno.
Os resultados apontam Lula com 39% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 32%. Em um cenário de segundo turno simulado entre os dois, Lula aparece com 47% contra 43% de Flávio. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Apesar de uma oscilação positiva para Flávio Bolsonaro, aliados do presidente Lula demonstraram, em conversas reservadas, um certo alívio. A avaliação é que a campanha petista atravessa seu pior momento, em decorrência de revelações sobre a relação de um dos filhos do ex-presidente e de seu ex-chefe de gabinete com a lobista Roberta Luchsinger. Nesse contexto, a perda de apenas um ponto percentual na projeção de segundo turno, dentro da margem de erro, é vista como um resultado positivo para Lula.
Petistas veem estabilidade e resiliência em meio a ataques
Marco Aurélio Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo e advogado de Fábio Luís, conhecido como Lulinha, classificou o resultado como excepcional. “Dadas as circunstâncias em que estamos sofrendo um massacre com ataques orquestrados, de dentro e fora do país, o resultado é excepcional. Eles vão suar, mas vamos vencer as eleições”, declarou.
Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT, afirmou que não há surpresa no resultado da pesquisa Datafolha. “Penso que a pesquisa mostra um quadro de estabilidade, com o presidente liderando todos os cenários. Assim, segue como favorito”, disse.
Aliados do presidente, falando sob reserva, admitem que o caso ainda terá reflexos na campanha. Contudo, após duas semanas de abatimento, declaram estar preparados para uma reação a partir da próxima semana. Os efeitos das novas informações sobre os casos envolvendo Lulinha e o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), ainda não puderam ser totalmente medidos pela pesquisa, cujos dados foram coletados entre os dias 18 e 19 de julho.
Campanha de Flávio Bolsonaro aposta em insatisfação com governo e migração de votos
Por outro lado, parte da campanha de Flávio Bolsonaro considera que o eleitorado ainda não foi plenamente influenciado pelas notícias negativas envolvendo Lulinha. A equipe do senador aposta que, quando isso ocorrer, o desgaste para o petista será mínimo. De forma geral, integrantes da campanha afirmam que o pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia indicou ao eleitorado que o governo Lula está mal na economia, com impacto direto na população.
O candidato do PL tem utilizado a imagem de lojas recém-fechadas em vídeos de campanha, destacando o endividamento da população e a falta de poder de compra. Flávio Bolsonaro tem enfatizado que a promessa de picanha feita pelo petista não foi cumprida, associando a situação econômica à gestão do atual governo.
Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro afirmam que a pesquisa consolida a avaliação de que Lula atingiu seu teto de crescimento, enquanto o senador continuará ganhando popularidade. Eles acreditam que a proximidade da eleição faz com que os eleitores percebam que Flávio é a única opção com chances reais de vencer Lula, o que estimula a migração de votos. Além disso, a população estaria refletindo sobre os próximos quatro anos e demonstrando insatisfação com o atual governo.
Líderes políticos e efeitos de escândalos na corrida eleitoral
Carlos Jordy (PL-RJ), deputado federal e candidato ao Senado, expressou otimismo com os resultados do Datafolha. “Nas nossas medições, já estamos na frente. […] Mas ficamos animados com o Datafolha, evidentemente. […] O Lula está derretendo, o caso Lulinha está nos ajudando e a gente vai vencer essa eleição”, afirmou.
Dois líderes do centrão, ouvidos pela reportagem, avaliaram que o efeito do caso Lulinha foi limitado na pesquisa e que Lula demonstrou resiliência. No entanto, eles acreditam que o escândalo forçará um segundo turno, frustrando o objetivo do petista de vencer a eleição já em primeiro turno. Esses políticos também avaliam que o escândalo envolvendo o filho do presidente ajuda Flávio Bolsonaro a superar o caso Dark Horse, enquanto a revelação da relação do candidato do PL com Vorcaro tende a diminuir seu impacto, por ter sido divulgada em maio.
Esses líderes do centrão também apontam que o cenário pode se alterar com novas informações sobre o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, que é apontado pela Polícia Federal como figura central em um esquema relacionado ao INSS. A fonte da reportagem é a Folhapress.