Lula celebra menor desmatamento da Amazônia na década e promete enviar dados a Trump, criticando informações recebidas pelo ex-presidente

Lula comemora redução histórica do desmatamento na Amazônia e alfineta Trump com dados oficiais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a divulgação de dados que apontam para o menor índice de desmatamento na Amazônia na última década. Em discurso para apoiadores, o petista anunciou sua intenção de enviar essas informações ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que ele foi mal informado sobre a situação ambiental no Brasil.

A declaração de Lula ocorre em um contexto de tensões diplomáticas, especialmente após os EUA anunciarem uma nova tarifa de 25% contra o Brasil, citando, entre outros motivos, a falha no combate ao desmatamento. O presidente busca apresentar um cenário positivo, contrastando com as críticas recebidas.

Os dados do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados na sexta-feira (7), revelam que o período entre agosto de 2025 e julho de 2026 registrou a menor área sob alerta de desmatamento na Amazônia desde o início da série histórica em 2016. Conforme informação divulgada pelo Inpe, esta é a menor taxa registrada em dez anos.

Avanços Econômicos e Reforma Tributária em Destaque

Além do tema ambiental, Lula aproveitou o evento para elogiar o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pela aprovação da reforma tributária. Segundo o presidente, a reforma, que entrará em vigor em 2027, trará benefícios significativos para o Brasil, os cidadãos, as empresas e o comércio, classificando-a como uma reforma “justa”.

O presidente também atribuiu a Haddad o projeto que isentou pessoas com renda de até R$ 5 mil do imposto de renda, definindo a medida como um “acerto da política econômica” do governo. Lula ressaltou que a “economia está dando certo” e citou indicadores como a menor inflação acumulada em quatro anos e o menor desemprego da história.

Ele enfatizou que o Brasil não apresentava crescimento acima de 3% desde que deixou a presidência em 2010. Lula defendeu a circulação de dinheiro na população como essencial para o desenvolvimento do país, criticando a concentração de riqueza nas mãos de poucos.

Programa “Reforma Casa Brasil” Enfrenta Obstáculos Burocráticos

Em outro ponto de seu discurso, Lula expressou preocupação com a lentidão do programa “Reforma Casa Brasil”, que visa oferecer linhas de crédito para melhorias habitacionais. O presidente afirmou que se reuniu com os presidentes da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil para entender os motivos da morosidade.

O programa, gerido pela Caixa, dispõe de R$ 40 bilhões para crédito, sendo R$ 30 bilhões oriundos do Fundo Social do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Lula apontou a “burocracia excessiva” como o principal entrave, citando casos de terrenos não regularizados ou documentação municipal pendente que impedem o acesso ao crédito, mesmo por parte de pessoas com capacidade de pagamento.

“Às vezes o cara tem terreno que não está legalizado, a prefeitura não fez a documentação e o coitado quer fazer a casa, ele precisa fazer a reforma, ele tem como pagar, mas não consegue, porque tem uma burocracia que não deixa, não tem noção”, criticou o presidente, ressaltando que a “lerdeza da máquina burocrática não é o tempo de quem precisa das coisas”.

Compromisso com a Moradia e Metas do MCMV

Apesar dos desafios, Lula reiterou a meta de contratar 3 milhões de casas pelo programa Minha Casa, Minha Vida até dezembro, afirmando que será preciso “fazer mais”. Ele também reforçou o compromisso de continuar entregando chaves de moradias para mulheres e auxiliando as pessoas de menor renda, pois, segundo ele, “casa é um direito constitucional”.

O evento em que Lula discursou marcou os 30 anos de um movimento social e ocorreu na Arena Multiúso de Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo. A ocasião foi marcada por uma atmosfera festiva, com música e a presença de apoiadores vestidos de vermelho, simbolizando as bandeiras de partidos de esquerda e entidades sociais.

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