Senado marca para quarta-feira (14) a votação da PEC da Segurança Pública, com expectativa de criação do Ministério e discurso de endurecimento de Lula contra o crime.
A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal agendou para esta quarta-feira (14) a análise de emendas à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O objetivo principal da proposta é **ampliar as atribuições da União** no combate ao crime organizado, um tema que ganha força no cenário político.
A tramitação da PEC estava paralisada no Senado, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condicionou a criação de um **Ministério da Segurança Pública**, antiga promessa de campanha, à aprovação da matéria. A expectativa é que, se aprovada, a proposta avance para o plenário do Senado, iniciando um novo capítulo na atuação federal na área.
O parecer da PEC foi elaborado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE). A aprovação de uma PEC exige um processo rigoroso, com votação em dois turnos em cada Casa Legislativa, após passar pela CCJ e por uma comissão especial. A CCJ, presidida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado do governo, é a única com sessão marcada para esta quarta-feira, mesmo dia em que o Senado deve votar o fim da escala 6×1, outra iniciativa apoiada pela gestão petista.
Lula reforça discurso de segurança e promete “jogo pesado” contra o crime
Em declarações recentes, Lula enfatizou a importância da aprovação da PEC para a criação do novo ministério e a definição do papel do governo federal na segurança pública. “Na hora que for aprovada a PEC da segurança, nós vamos criar o Ministério da Segurança Pública e nós vamos poder então definir qual será o papel da participação do governo federal em segurança pública”, afirmou o presidente.
O mandatário adotou um tom mais duro, declarando que o governo será “muito duro” com o crime. “Para o povo trabalhador, a gente quer tranquilidade, a gente quer paz, a gente quer proteção. Para o território, a gente quer paz, a gente quer proteção. Agora, para os bandidos, a gente quer prisão. E aí vai ser um jogo muito pesado, porque o governo vai derrotar o crime organizado e libertar o território brasileiro”, disse Lula.
Estratégia eleitoral: Segurança Pública como trunfo na corrida eleitoral
A postura mais firme de Lula em relação à segurança pública é vista como uma **estratégia para fortalecer seu discurso eleitoral**, especialmente após o resultado do primeiro turno. O novo lema de campanha, “Para o povo trabalhador, proteção; para bandido, a prisão”, tem sido amplamente divulgado nas redes sociais e no site da campanha.
A campanha petista também tem comparado suas propostas às de Flávio Bolsonaro (PL), apontando que algumas medidas defendidas pelo adversário já foram implementadas pelo atual governo. Um exemplo citado é o endurecimento das penas para líderes de organizações criminosas, que, segundo a campanha de Lula, já foi aprovado com a **Lei Antifacção**, estabelecendo penas de 20 a 40 anos de prisão.
Flávio Bolsonaro propõe maior rigor e redução da maioridade penal
Em resposta, Flávio Bolsonaro tem defendido o aumento das penas para chefes de organizações criminosas e um combate mais rigoroso ao crime. Sua campanha também tem apostado na **redução da maioridade penal** como uma das propostas para a segurança pública. A campanha de Lula rebate essa proposta, ressaltando a Lei Antifacção como um avanço na gestão atual.
A aprovação da PEC da Segurança Pública e a possível criação do Ministério da Segurança Pública representam um movimento significativo do governo federal para centralizar e **fortalecer a atuação na área**, em um momento crucial para a definição de estratégias de combate ao crime organizado e para a consolidação de sua agenda política.




