Juscelino Kubitschek: Autores Questionam Legado Desenvolvimentista e Apontam Contas Altas para o Brasil

Livro “Juscelino: uma crítica ao desenvolvimentismo” desafia a imagem popular de JK, propondo uma análise sob a ótica liberal.

Uma nova publicação literária está gerando debate ao apresentar uma perspectiva crítica sobre Juscelino Kubitschek (JK), um dos presidentes mais icônicos do Brasil. Lançado em maio, o livro “Juscelino: uma crítica ao desenvolvimentismo”, de Antônio Claret Júnior e Lucas Berlanza, propõe uma leitura revisionista e liberal da figura de JK, contestando a visão de um líder que modernizou o país com seu plano de metas “50 anos em 5”.

A obra, publicada pela LVM Editora, argumenta que JK, apesar de ser amplamente celebrado como um ícone da política brasileira, recebe poucas críticas como gestor público. Os autores buscam relativizar os resultados de suas ações nos governos de Belo Horizonte, Minas Gerais e do Brasil, apontando para um descompromisso fiscal e ações populistas.

“Convencionou-se entender Juscelino como um herói e pouco se relativizam os resultados das suas ações nos governos de Belo Horizonte, Minas Gerais e do Brasil. Como um liberal, entendo que JK é passível de críticas porque pouco se importou com o futuro do Brasil diante de ações bastante populistas”, afirma Antônio Claret Júnior, um dos autores, em declarações ao Diário do Comércio.

Grandes Obras e Custos Fiscais: O Legado Questionado de JK

Um dos pontos centrais da crítica apresentada no livro é a predileção de JK por “grandes obras” que pudessem marcar seu nome na história, muitas vezes sem considerar o impacto financeiro futuro. A construção de Brasília é apontada como o principal exemplo dessa abordagem.

Segundo os autores, além de não cumprir a promessa de interiorizar o Brasil, a empreitada da nova capital deixou um legado de dívidas que perduram até hoje. Eles destacam que JK demonstrou pouco compromisso fiscal, o que resultou não apenas no aumento de impostos, mas também em um crescimento perigoso da dívida interna e externa do país.

“À luz do liberalismo, o desenvolvimentismo de JK foi irresponsável e fez mais mal do que bem ao Brasil”, analisa Claret Júnior, ressaltando que a análise é feita sob os pilares do pensamento liberal.

Rigor na Pesquisa e Contextualização Histórica

A pesquisa para a elaboração do livro levou cerca de um ano e meio, seguida por seis meses de escrita. Os autores basearam-se predominantemente em fontes secundárias, dada a vasta documentação existente sobre o período. No entanto, eles enfatizam o cuidado em evitar o anacronismo, julgando o passado com as lentes do presente.

Para garantir a imparcialidade e a contextualização histórica, os autores deixaram claro desde o início que a análise seria feita sob a ótica do liberalismo. Eles reconhecem que a maior dificuldade encontrada na pesquisa foi a escassez de pontos criticáveis sobre JK em obras já existentes, que tendem a ser majoritariamente favoráveis ao ex-presidente.

“Recorremos a alguns documentos originais, mas praticamente tudo já está nos livros. A maior dificuldade esteve em achar os pontos criticáveis sobre JK nessas obras nos livros. Todos os artigos são a favor. Contextualizamos o tempo todo para evitar o anacronismo. É uma análise liberal, poderíamos elogiar outras pessoas da época, como Carlos Lacerda, governador do Estado da Guanabara, por exemplo, ou vários mineiros pouco reconhecidos como Teófilo Otoni e Milton Campos”, explica Berlanza.

Qualidades Reconhecidas e o Contexto das Homenagens

O ano de 2026 marcará os 50 anos da morte de Juscelino Kubitschek, e o político já está sendo homenageado em Minas Gerais com iniciativas como o “Ano JK”. Esse contexto de celebração pode ter contribuído para o surgimento de críticas mais acaloradas à obra de Claret Júnior e Berlanza.

Os autores, contudo, reconhecem qualidades em Juscelino Kubitschek, como seu carisma e coragem. “JK era popular e carismático. Ele conseguia conversar com as massas e no poder jamais se aproximou de algo ditatorial, do autoritarismo, apesar de ter sido prefeito biônico de Belo Horizonte, no governo Vargas. Ainda assim, no poder, manteve uma postura pela democracia, o que em muitos momentos foi um ato de muita coragem”, avalia Antônio Claret Júnior.

Apesar de reconhecerem essas virtudes, os autores mantêm a posição de que, sob uma análise liberal, o legado desenvolvimentista de JK merece um olhar mais crítico e aprofundado, considerando os custos fiscais e as consequências de longo prazo para o Brasil.

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