Brasileiros que vivem no exterior precisam declarar saída definitiva à Receita Federal para evitar problemas com o Imposto de Renda em 2026.
A Receita Federal exige que todos os brasileiros que mudaram seu domicílio fiscal para o exterior formalizem essa alteração através da Declaração de Saída Definitiva do País (DSDP). Essa medida é crucial para evitar a dupla tributação e outras complicações legais.
Com mais de 4,9 milhões de brasileiros residindo fora do Brasil, segundo dados do Itamaraty, a maioria ainda não realizou este procedimento obrigatório. Os principais destinos são Estados Unidos e Portugal, mas a falta de informação leva a um baixo índice de declarações.
A declaração de saída definitiva não é uma opção, mas sim uma obrigação para quem deixa de ser residente fiscal no Brasil. O não cumprimento pode gerar multas, problemas com o CPF e até mesmo com o passaporte.
Conforme informação divulgada pelo Diário do Comércio, o advogado especializado em Direito Tributário Internacional, Leonardo Lacerda, destaca a importância da comunicação formal com o Fisco.
Por que a Declaração de Saída Definitiva é essencial?
Realizar a Declaração de Saída Definitiva do País (DSDP) é fundamental para que o contribuinte evite a dupla tributação sobre seus rendimentos e bens. Sem essa formalização, a Receita Federal entende que o brasileiro ainda mantém seu domicílio fiscal no Brasil.
Isso significa que todos os seus rendimentos, mesmo aqueles obtidos no exterior, podem ser considerados para cálculo do Imposto de Renda no Brasil. A comunicação formal da mudança de país é o que garante que a tributação ocorra apenas onde é devida, conforme as leis de cada nação.
Evitando multas e irregularidades no CPF
O intercâmbio de informações entre países é cada vez mais comum e a Receita Federal tem acesso a dados sobre rendimentos, movimentações financeiras e aquisição de bens no exterior. Não declarar a saída definitiva pode levar a irregularidades no CPF, que por sua vez podem impactar a validade do passaporte e outras questões legais.
A falta da DSDP pode resultar em pagamento de multas e, em casos mais graves, no cancelamento do CPF, gerando uma série de transtornos para o cidadão. A declaração garante a regularidade fiscal do brasileiro no exterior.
Tributação correta: rendimentos no exterior e no Brasil
Ao realizar a Declaração de Saída Definitiva, os rendimentos obtidos no exterior deixam de ser tributados no Brasil. O contribuinte passa a ser tributado apenas sobre rendimentos de fontes brasileiras, com o Imposto de Renda sendo retido na fonte no Brasil, quando aplicável.
Leonardo Lacerda explica que, sem a DSDP, a Receita Federal considera todos os bens e rendimentos no exterior como parte da base de cálculo do Imposto de Renda no Brasil. Isso pode levar a um pagamento de impostos desnecessário e incorreto.
Menos de 150 mil declarações nos últimos cinco anos
Apesar do alto número de brasileiros vivendo no exterior, a Receita Federal registrou menos de 150 mil declarações de saída definitiva nos últimos cinco anos. Esse dado, divulgado pelo próprio Fisco, revela uma grande lacuna na informação e cumprimento das obrigações fiscais por parte dos expatriados.
A simplicidade do processo, quando comparada aos riscos de não o fazer, torna a DSDP uma etapa indispensável para quem mudou seu domicílio fiscal. É fundamental buscar informação e realizar o procedimento para garantir a tranquilidade financeira e legal.





