Inflação surpreende analistas e se aproxima da meta, abrindo caminho para cortes na Selic em 2026
O cenário inflacionário brasileiro mostra sinais claros de melhora ao final de 2025, com o IPCA-15 de novembro registrando uma alta de apenas 0,20%. Este resultado levou o acumulado em 12 meses para 4,5%, exatamente o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Essa convergência para a meta reduz as pressões sobre a política monetária, melhora as expectativas para os próximos meses e fortalece as projeções de que o Banco Central (BC) poderá iniciar um ciclo de cortes na taxa Selic já em janeiro de 2026. O alívio é impulsionado pela desaceleração dos preços de alimentos, queda em bens de consumo e ajustes nos combustíveis.
Conforme informação divulgada pelo Seu Crédito Digital, o avanço de 0,20% no IPCA-15 de novembro trouxe o acumulado de 12 meses para 4,5%, exatamente o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Esse resultado reduz pressões sobre a política monetária, melhora expectativas para os próximos meses e fortalece as projeções de que o Banco Central (BC) poderá iniciar um novo ciclo de cortes na Selic já em janeiro.
IPCA-15 de novembro e o impacto na política monetária
O IPCA-15, considerado a prévia oficial da inflação, registrou alta de 0,20% em novembro, ligeiramente acima dos 0,18% de outubro. Apesar do desempenho mensal ter ficado um pouco acima do esperado pelo mercado, o dado mais relevante foi a desaceleração no acumulado em 12 meses. Este resultado é crucial, pois pode fazer com que o BC escape da obrigação de escrever uma carta aberta justificando o descumprimento da meta.
A meta de inflação brasileira é de 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que qualquer resultado entre 1,5% e 4,5% mantém o país dentro do intervalo permitido. Com o IPCA-15 sinalizando convergência, as chances de o IPCA cheio de 2025 também terminar o ano dentro da meta aumentam consideravelmente, diminuindo incertezas e concedendo maior flexibilidade para a autoridade monetária.
O que puxou a inflação para baixo e para cima em novembro
As passagens aéreas foram o principal fator de pressão no IPCA-15 de novembro, com um expressivo aumento de 11,87%. A sazonalidade típica do fim de ano, combinada com a alta demanda por férias e eventos, explica grande parte dessa escalada. O grupo de despesas pessoais também puxou o índice para cima, com alta de 0,85%, impulsionado por serviços pessoais e turismo, refletindo a maior procura por viagens.
Por outro lado, o grupo de alimentação voltou a subir, apresentando alta de 0,09% em novembro, após cinco meses consecutivos de queda. No entanto, os alimentos consumidos no domicílio ainda registraram um recuo de 0,15%. A Black Friday teve um papel importante no alívio, com a queda de 1,03% em eletroeletrônicos, influenciada pela valorização do câmbio e pela competitividade de produtos importados. O grupo de transportes também trouxe alívio, com os combustíveis recuando 0,46%, impulsionados pela queda na gasolina.
Especialistas otimistas com o fim de 2025 e projeções para 2026
Economistas de diversas instituições convergem na avaliação de que a inflação deve encerrar 2025 dentro do teto da meta. André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, projeta que o IPCA cheio de novembro fique em 0,17%, levando o acumulado em 12 meses para cerca de 4,45%. Andréa Angelo, estrategista da Warren Investimentos, vê 2025 terminando com inflação acumulada de 4,2%, apoiada na desinflação de bens, na queda de serviços e na política monetária restritiva.
André Valério, economista do Inter, projeta um fechamento de 2025 em 4,5%, no limite da meta, mas mantém a expectativa de corte de juros em janeiro. A combinação de inflação sob controle e expectativas ancoradas reforça o cenário de que o BC pode iniciar a redução da Selic no início de 2026. Argumentos como a convergência para a meta, a desinflação de bens e a ancoragem das expectativas sustentam essa visão.
Riscos e perspectivas para a inflação em 2026
Apesar do otimismo, 2026 apresenta riscos que podem pressionar a inflação. O grupo de alimentos pode voltar a ser um ponto de atenção, especialmente com a possibilidade de eventos climáticos adversos e menor oferta agrícola. A volatilidade no câmbio e possíveis medidas de estímulo econômico, como mudanças no FGTS e no Imposto de Renda, também podem aquecer a demanda e dificultar a tarefa do BC.
Andréa Angelo prevê uma inflação de 4,5% para 2026, acima da projeção para 2025, refletindo os riscos alimentares e a possibilidade de estímulos fiscais. Já André Valério aposta em inflação de 4% no próximo ano, com continuidade do processo de desinflação. O ambiente de credibilidade construído pela política monetária e a convergência das expectativas, contudo, ajudam a manter o otimismo geral para o cenário econômico brasileiro.





