O mundo do trabalho em 2026: um cenário de otimismo cauteloso e desafios crescentes
A 8ª edição do Relatório de Tendências em Gestão de Pessoas do Great Place To Work (GPTW) aponta um panorama complexo para o início de 2026. Embora o otimismo geral prevaleça, a incerteza em relação às perspectivas de negócios disparou, atingindo o maior índice da série histórica, saltando de 16% em 2019 para 35,4% em 2026.
Este cenário de instabilidade exige adaptação e foco em estratégias que fortaleçam as organizações e seus colaboradores. O desenvolvimento e a capacitação da liderança emergiram como a principal prioridade, refletindo a necessidade de preparar gestores para navegar em um ambiente de rápidas transformações.
O relatório, que ouviu 1.577 respondentes no Brasil e América Latina, destaca também a crescente relevância da inteligência artificial e a reconfiguração de outras prioridades em gestão de pessoas, como saúde mental e diversidade.
Liderança em Foco: Capacitação e Resultados como Novos Pilares
O desenvolvimento e capacitação da liderança se consolida como o principal desafio e prioridade para 2026, alcançando 57,4% das menções, o maior percentual dos últimos cinco anos. Essa ascensão sublinha a demanda por líderes aptos a guiar suas equipes em meio a mudanças constantes.
A pesquisa indica uma mudança na percepção das qualidades essenciais dos líderes. Enquanto a empatia liderou por três anos, a capacidade de entregar resultados assumiu o posto principal. Contudo, a comunicação eficiente permanece crucial, sendo apontada por 49,8% como habilidade necessária para líderes, evidenciando a importância de feedbacks de qualidade e escuta ativa.
A diretora de comunicação e relações institucionais do GPTW, Daniela Diniz, ressalta que essa valorização de um perfil mais orientado a resultados reflete o cenário atual de mudanças rápidas e a necessidade de tomadas de decisão eficientes, o que serve como um alerta para as organizações.
Transformação Cultural e Engajamento: Pilares da Gestão de Pessoas
Em segundo e terceiro lugar na lista de prioridades, aparecem a transformação e/ou evolução da cultura organizacional e o engajamento/comprometimento das pessoas. Esses temas são fundamentais para a sustentabilidade e o sucesso das empresas em um ambiente competitivo.
Ainda que a saúde mental tenha caído de posição, saindo do segundo lugar para 19,3% das menções como prioritária, o relatório aponta uma maior maturidade das organizações na abordagem do tema. Isso se reflete em avanços orçamentários, práticas mais estruturadas e crescimento no mapeamento de riscos psicossociais, possivelmente impulsionados por exigências regulatórias e aprendizados recentes.
IA e Contratação: Novas Fronteiras e Desafios Emergentes
A contratação de profissionais qualificados ganhou mais relevância, passando de 12% para 21,9% das prioridades. Paralelamente, a inteligência artificial (IA) segue em ascensão, subindo de 9% para 18,7%. Apesar do crescimento, o investimento em IA ainda é incipiente, concentrando-se mais no aspecto tecnológico do que na capacitação das pessoas para seu uso estratégico.
No ranking geral, a IA ocupa a oitava posição, enquanto competências como resolução de problemas complexos, resiliência e pensamento crítico permanecem no topo das prioridades. Isso demonstra que, apesar do avanço tecnológico, as habilidades humanas continuam sendo essenciais.
Formatos de Trabalho, Diversidade e ESG: Tendências em Evolução
O modelo de trabalho 100% presencial lidera com 51,1%, superando o híbrido (41,3%). No entanto, empresas presenciais reportam maior dificuldade em preencher vagas. Quanto à Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), embora relevante para 59,7% das organizações, ainda enfrenta limitações orçamentárias, com cerca de 20% das empresas na América Latina não a considerando uma pauta estratégica.
A agenda ESG e Sustentabilidade é vista como estratégica por 42,5% dos respondentes, essencial para a longevidade do negócio. Contudo, 19,9% ainda não a consideram estratégica. Observa-se que empresas latino-americanas integram o ESG à estratégia de longo prazo em um nível ligeiramente maior do que as brasileiras.




