Impeachment de Dilma: Aliados de Lula que votaram a favor evitam o tema 10 anos depois, poucos admitem arrependimento - Brasa Noticias

Impeachment de Dilma: Aliados de Lula que votaram a favor evitam o tema 10 anos depois, poucos admitem arrependimento

Aliados de Lula que votaram pelo impeachment de Dilma preferem o silêncio 10 anos depois, poucos admitem arrependimento

Dez anos após a votação que abriu caminho para o impeachment de Dilma Rousseff, a maioria dos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que apoiaram o processo evita o tema. A postura reflete um pragmatismo político, especialmente com as eleições de 2026 se aproximando, onde a busca por alianças em estados se torna prioridade. O Partido dos Trabalhadores (PT) trata o episódio com cautela, enquanto outros políticos que votaram pela cassação preferem não revisitar a decisão.

Uma reportagem da Folhapress buscou 19 lideranças políticas que se posicionaram a favor do impeachment. Do total, 12 optaram por não comentar ou não responderam. Apenas duas declararam arrependimento explícito. Outras figuras mencionaram justificativas frágeis para a cassação, lamentaram as consequências, mas não afirmaram que tomariam uma decisão diferente, enquanto duas não demonstraram arrependimento algum.

Entre os que foram procurados, sete ocuparam ministérios no atual governo Lula, dois são quadros do PT e outros políticos que o partido considera para futuras disputas eleitorais. A votação na Câmara dos Deputados, que deu início ao afastamento de Dilma, completou uma década na sexta-feira, 17 de maio.

Alckmin e Marina Silva: Posições divergentes sobre o impeachment

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que foi ministro do Desenvolvimento e Indústria, declarou por meio de sua assessoria que o impeachment teve uma “justificativa frágil que pôs em risco a democracia no Brasil”. Alckmin, que era governador de São Paulo pelo PSDB em 2016, lembrou que na época ele já não via força na acusação das pedaladas fiscais, base do processo. Contudo, ele não comentou uma declaração sua de 2016 ao SBT, onde afirmava que “o PSDB agiu corretamente votando favoravelmente ao impeachment”.

A deputada federal Marina Silva (Rede-SP), ex-ministra do Meio Ambiente, que defendeu o impeachment e em 2018 disse não se arrepender, é cotada para uma cadeira no Senado. Na época, ela justificou seu voto por convicção, alegando crime de responsabilidade e declarando que não se guiava por métricas eleitorais.

Simone Tebet e José Eduardo Cardozo: Lamentações e pragmatismo

Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento e hoje pré-candidata ao Senado, justificou seu voto em 2016 como senadora pelo PMDB (hoje MDB) pelas “consequências nefastas a esta e às futuras gerações que pagarão esta conta”. José Eduardo Cardozo, ex-ministro e advogado de Dilma no processo, vê o atual momento político como um “inevitável juntar de forças políticas para evitar a barbárie”, referindo-se à união de espectros políticos para derrotar o bolsonarismo, como na chapa Lula-Alckmin.

Outros nomes e o silêncio estratégico

O senador Carlos Fávaro (PSD-MT), ex-ministro da Agricultura, que na época era vice-governador de Mato Grosso pelo PP, afirmou que “dizer que isso é golpe é um discurso fácil e desesperado”. André de Paula (PSD-PE), ex-ministro da Pesca, e os ex-ministros André Fufuca (PP-MA) e Juscelino Filho (PSDB-MA), também votaram pelo impeachment, mas não retornaram aos contatos da reportagem. Juscelino Filho preferiu não se manifestar.

Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra da Cultura no governo Dilma, trocou o PT pelo PMDB em 2015 e votou pelo impeachment, chegando a presentear a autora do pedido. Retornou ao PT em 2024 a convite de Lula, mas, via assessoria, não quis comentar seu voto. Cristovam Buarque, ex-senador, admitiu ter errado como político, embora tenha votado como economista, e relatou ter sido “massacrado” por petistas mesmo apoiando Lula.

Arrependimento e autocrítica no cenário político

A senadora Eliziane Gama (MA), recém-filiada ao PT, admitiu arrependimento pelo voto pró-impeachment, classificando-o como “um dos poucos erros que cometi na vida política”. Floriano Pesaro (PSB-SP), diretor na ApexBrasil, considerou seu voto um “erro histórico”, afirmando que muitos foram manipulados. O ministro José Guimarães (PT-CE) avalia que essas autocríticas representam o reconhecimento de uma “aberração jurídica”.

O senador Rodrigo Pacheco (PSB), nome defendido por Lula para Minas Gerais, votou pelo impeachment seguindo o PMDB e a OAB. Ele reconhece o “trauma gerado pela ruptura de um mandato presidencial” e que “as consequências disso não foram as melhores”. Senadores como Renan Calheiros (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-AM), Eunício Oliveira (MDB-CE) e Omar Aziz (PSD-AM) votaram pelo impeachment e hoje discutem chapas com o PT. Apenas Aziz é pré-candidato a governador, os demais buscam a reeleição.

Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), eleito presidente do Senado com apoio do PT, votou pelo impeachment em 2016, considerando o processo legítimo. Ele declarou que não atua como aliado nem oposição, sem citar sua postura na época. Renan Calheiros não retornou o contato, e os demais senadores citados não quiseram comentar seus votos.

Posições firmes e o peso do eleitorado

Acir Gurgacz (PDT), pré-candidato ao Senado em Rondônia com potencial apoio do PT, afirma não se arrepender do voto, alegando ter seguido pesquisas que indicavam apoio popular ao impeachment em seu estado. Ele assegura já ter conversado sobre o tema com Lula e Dilma, justificando que “o país estava ingovernável”.

A senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil-TO), pré-candidata ao governo do Tocantins e nome cogitado pelo PT, declarou que atua de forma independente e não se arrepende do voto. Para ela, foi uma “decisão institucional diante de uma crise econômica e política grave”.

Compartilhe seu amor
Welbert Lucas de Oliveira
Welbert Lucas de Oliveira

Welbert Lucas é um talentoso redator do site Brasa Noticias, apaixonado por filmes, games e cultura pop. Sua paixão por esses temas transparece em seu trabalho, onde ele combina sua habilidade de escrita com seu vasto conhecimento dessas áreas. Com uma escrita envolvente e criativa, Welbert é capaz de transportar os leitores para universos cinematográficos, aventuras virtuais e cenários cheios de referências culturais. Além de seu talento como redator, ele é um verdadeiro entusiasta, sempre atualizado sobre as últimas novidades da indústria do entretenimento. Seja através de críticas cinematográficas, análises de jogos ou artigos sobre cultura pop, Welbert Lucas oferece conteúdo de qualidade que entretém e informa os leitores do Brasa Noticias de forma única e apaixonante.

Artigos: 10040