Mercado Imobiliário: Valorização Persiste, Mas em Ritmo Mais Lento
Os preços dos imóveis residenciais continuam a registrar alta, mas o ritmo de valorização tem diminuído nos últimos meses. Em agosto, o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R) apresentou um avanço de 0,87%, uma pequena aceleração em relação aos 0,61% de julho. No entanto, a análise de um período mais extenso revela uma tendência de desaceleração.
A valorização acumulada nos últimos 12 meses caiu pelo quinto mês consecutivo, atingindo 14,73%. É um número expressivo, especialmente quando comparado aos quase 20% de alta registrados em março. Mesmo com essa perda de fôlego, o aumento dos preços dos imóveis segue acima da inflação oficial, que ficou em 4,22% no mesmo período.
Essa diferença entre a valorização imobiliária e a inflação é um indicativo importante para investidores e compradores. Conforme divulgado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o desempenho dos preços de venda não pode ser explicado unicamente pelo aumento dos custos de construção. Fatores como oferta e demanda, condições de crédito e características regionais também desempenham um papel crucial na formação dos preços.
Desempenho Acumulado e Comparativo com Anos Anteriores
Entre janeiro e agosto, o IGMI-R acumulou uma alta de 6,56%. Embora este resultado seja inferior aos 10,19% registrados no mesmo período de 2025 e aos 9% de 2024, ele ainda supera as taxas observadas em anos anteriores, como entre 2016 e 2019, e também em 2023. Isso demonstra uma resiliência do setor imobiliário.
A comparação com a variação dos aluguéis também é relevante. O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), da FGV, acumulou uma alta de 5,09% em 12 meses. A diferença entre a valorização dos imóveis e a dos aluguéis reforça a complexidade do mercado.
Mercados Regionais: Desempenho Desigual entre as Capitais
O cenário imobiliário não é homogêneo em todo o país. A pesquisa da Abecip revela que diferentes capitais apresentam momentos distintos em seus mercados. Recife e Porto Alegre se destacam com valorizações bem acima da média nacional, enquanto Fortaleza aparece na outra ponta do ranking.
Em Recife, os preços residenciais subiram 12,04% nos primeiros oito meses do ano e acumulam uma impressionante alta de 25,81% em 12 meses, sendo a maior entre as dez capitais acompanhadas pelo índice. Curitiba aparece em seguida na comparação anual, com 21,19% de valorização, seguida por Salvador (19,20%), Brasília (18,41%) e Porto Alegre (16,66%).
Análise Mensal e o Caso de Curitiba
Em agosto, Porto Alegre registrou a maior alta mensal, com 1,66%, seguida de perto por Belo Horizonte (1,65%) e Recife (1,44%). Curitiba foi a única capital a apresentar queda no mês, registrando um recuo de 0,23%. Apesar disso, a cidade paranaense mantém uma das maiores valorizações no acumulado do ano, com 8,82%.
Na capital paulista, os preços avançaram 0,81% em agosto, após uma alta de 0,25% em julho. No entanto, no acumulado do ano, São Paulo registra uma valorização de 5,57%, ficando abaixo da média nacional de 6,56%.





