Ibovespa alcança patamar inédito de 195 mil pontos, impulsionado por cenário internacional mais calmo e fluxo estrangeiro
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou um marco histórico ao fechar acima dos 195 mil pontos pela primeira vez. A alta de 1,5% na quinta-feira (9) foi sustentada por uma relativa trégua na aversão ao risco global, mesmo com a cautela em relação ao conflito entre Estados Unidos e Irã.
O índice fechou o pregão em 195.129,25 pontos, após atingir a máxima de 195.513,91. O volume financeiro negociado somou R$ 37,2 bilhões, indicando forte atividade no mercado.
Conforme apurado pela Reuters, a melhora no cenário externo, com o petróleo Brent em alta e o S&P 500 também valorizado, contribuiu para o otimismo. Analistas apontam que a ausência de novas escaladas militares significativas após os recentes eventos no Oriente Médio trouxe um alívio bem-vindo.
Trégua no Oriente Médio e Fluxo Estrangeiro Sustentam Recorde do Ibovespa
A percepção de um cessar-fogo, ainda que frágil, entre Estados Unidos e Irã foi um fator crucial para a recuperação do ânimo dos investidores. O superintendente da Necton/BTG Pactual, Marco Tulli Siqueira, destacou que o mundo está “um pouco mais calmo”, e que as expectativas de um conflito mais amplo não se confirmaram, o que é um alívio significativo.
Além disso, o fluxo contínuo de capital estrangeiro para o mercado brasileiro tem sido um pilar de sustentação para a bolsa. Desde o início do conflito no Oriente Médio, o Brasil tem demonstrado resiliência, com entrada líquida de capital externo persistindo em abril.
Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, ressaltou que o anúncio de um cessar-fogo abriu espaço para a recuperação dos mercados e a diminuição da volatilidade. A perspectiva de um fim para a guerra, mesmo com os riscos militares ainda presentes, trouxe a calmaria necessária para o Ibovespa atingir novas máximas históricas.
Destaques do Pregão: Petrobras em Alta, Vale em Baixa e Empresas de Energia Brilhando
As ações da Petrobras PN lideraram os ganhos no setor de energia, com alta de 2,77%, impulsionadas pela valorização do petróleo no mercado internacional. Outras empresas do setor, como PRIO ON (+2,11%), BRAVA ENERGIA ON (+3,55%) e PETRORECONCAVO ON (+1,6%), também apresentaram resultados positivos, beneficiadas também por dados de produção.
O setor financeiro também mostrou força, com Itaú Unibanco PN avançando 1,71%. Outros grandes bancos como BTG Pactual Unit (+1,5%), Bradesco PN (+0,59%), Banco do Brasil ON (+0,94%) e Santander Brasil Unit (+1,81%) acompanharam a tendência de alta.
Em contrapartida, Vale ON registrou queda de 1,05%. A mineradora foi pressionada pela desvalorização dos futuros do minério de ferro na China, que atingiram mínimas em mais de um mês, refletindo o aumento da oferta e incertezas na demanda chinesa.
Sabesp e Empresas de Energia Elétrica Contribuem para a Alta Geral
A Sabesp ON apresentou um desempenho notável, com alta de 3,3%, após a companhia divulgar planos de investimento de cerca de R$ 20 bilhões até 2026 e reafirmar metas de universalização de serviços. A empresa demonstrou confiança em cumprir os prazos para os municípios do interior de São Paulo e para a região metropolitana.
O setor de energia elétrica na B3 também teve um pregão positivo, com o índice do setor encerrando em alta de 1,92%. A Axia Energia ON, em particular, subiu 3,81%, figurando entre as principais contribuições para a valorização do Ibovespa.
A Hapvida ON continuou sua trajetória de alta, fechando com um ganho de 4,74%. A companhia tem recebido atenção após anúncios sobre aumento de participação dos acionistas controladores e do BTG Pactual, além de planos de venda de operações no Sul do país.
Conforme informações divulgadas pela Reuters, o Ibovespa segue se beneficiando de um ambiente de maior tranquilidade global, com o fluxo de investidores estrangeiros demonstrando confiança no mercado brasileiro, apesar das incertezas geopolíticas que ainda pairam no horizonte.





