Ibovespa ensaia recuperação com olhar em Brasília, enquanto risco político volta a influenciar o mercado.
O Ibovespa apresentou uma leve retomada nesta quinta-feira (18), fechando em alta de 0,38%, aos 157.923,34 pontos. Apesar do avanço, o índice da B3 ainda luta para se firmar acima dos 158 mil pontos, nível que não alcança desde o dia 5 de dezembro, data conhecida como ‘Flávio Day’. A incerteza política, especialmente em relação às candidaturas presidenciais, tem sido o principal motor da volatilidade recente.
O mercado digere as movimentações políticas em Brasília, buscando sinais sobre a viabilidade de candidaturas e o cenário eleitoral futuro. Declarações de líderes políticos e pesquisas de intenção de voto têm sido acompanhadas de perto pelos investidores, que reagem a cada nova informação.
A performance do Ibovespa reflete essa busca por estabilidade em meio a um ambiente de incertezas. Com foco nas notícias vindas da capital federal, o índice conseguiu ganhar um pouco de tração, mas a cautela ainda prevalece, com o giro financeiro atingindo R$ 26,3 bilhões. A semana ainda registra perdas, mas o ano mantém um saldo positivo considerável.
Cenário Eleitoral Molda Expectativas do Mercado
Um dos fatores que impulsionaram a leve alta do Ibovespa nesta quinta-feira foram os comentários do senador Ciro Nogueira (PI). Ele indicou que, caso a viabilidade eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não se confirme até março, a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para a Presidência pode voltar a ser uma opção viável. Esta declaração, divulgada pelo Valor, contrasta com informações anteriores que sugeriam a permanência de Tarcísio focado na reeleição em São Paulo.
Nogueira avaliou que o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso, não arriscaria a candidatura do filho se ela não demonstrasse potencial de decolagem até março. Essa percepção de que a candidatura de Flávio Bolsonaro pode não avançar alivia, em parte, a percepção de risco político para alguns analistas, abrindo espaço para a consideração de outras alternativas.
O estrategista de investimentos Nicolas Gass, da GT Capital, reforça que a volatilidade recente nos mercados locais está fortemente ligada ao cenário eleitoral. Ele menciona falas de Tarcísio de Freitas apoiando Flávio Bolsonaro e pesquisas que indicam a liderança de Lula em diversos cenários, inclusive contra Tarcísio. Gass aponta que Flávio Bolsonaro emerge como principal nome da oposição, apesar da liderança consolidada de Lula nas pesquisas.
Banco Central e Taxa Selic: Foco na Próxima Decisão
Na agenda econômica, as falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, após a divulgação do Relatório de Política Monetária (RPM), trouxeram um certo alívio ao mercado. Galípolo afirmou que ainda não há definição sobre o próximo ajuste da taxa Selic em janeiro. Essa declaração contribuiu para que as taxas dos contratos de juros futuros operassem em terreno negativo, apoiando o apetite por ativos de risco, como as ações.
Galípolo também comentou sobre a dificuldade do mercado em encontrar “dicas” na comunicação do Copom, referindo-se à forma como o comitê se expressa. Ele enfatizou que as decisões sobre a política monetária dependem dos dados econômicos, e que nenhuma decisão sobre o futuro da Selic foi tomada ainda. Essa transparência sobre a dependência de dados busca gerenciar as expectativas do mercado.
Desempenho das Ações: Destaques e Pontos de Atenção
Na B3, as ações de primeira linha apresentaram desempenho misto. A Petrobras destoou no final do pregão, com leves quedas de 0,25% na ON e 0,58% na PN. A Vale ON, principal ação do Ibovespa, registrou alta de 0,26%. Entre os bancos, os ganhos variaram entre 0,19% (BB ON) e 1,95% (BTG Unit).
Na ponta positiva do Ibovespa, destacaram-se Brava (+6,16%), Suzano (+5,74%), Klabin (+2,32%) e PetroReconcavo (+2,08%). Na contramão, as maiores quedas foram de Direcional (-3,48%), Natura (-2,59%), Assaí (-2,57%) e Hapvida (-1,93%). A volatilidade dessas ações reflete as incertezas e oportunidades em um mercado sensível a notícias políticas e econômicas.




