Ibovespa fecha em leve alta, impulsionado por Petrobras e fluxo estrangeiro, apesar das tensões no Oriente Médio
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou a sessão desta quinta-feira (02) com uma modesta valorização de 0,05%, atingindo 188.052,02 pontos. O desempenho foi marcado por uma recuperação após operar em queda, com o suporte das ações de empresas petrolíferas, em especial a Petrobras, atuando como um amortecedor contra as incertezas geradas pela escalada de conflitos no Oriente Médio.
Notícias sobre discussões envolvendo a potencial abertura do Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de petróleo mundial, também contribuíram para uma melhora no cenário, especialmente após declarações do presidente dos Estados Unidos sobre a intensificação de operações militares contra o Irã. O índice chegou a registrar uma mínima de 185.213,54 pontos, mas conseguiu reverter parte das perdas, alcançando 189.250,57 pontos em seu melhor momento.
Na semana, o Ibovespa acumulou uma alta expressiva de 3,58%, demonstrando resiliência em um ambiente de mercado volátil. O volume financeiro negociado no pregão foi de R$ 24,64 bilhões, um valor abaixo da média diária anual de R$ 35,58 bilhões, reflexo também da proximidade do feriado de sexta-feira, que levou muitos agentes financeiros a ajustarem suas posições.
Ações de Petrobras e o preço do petróleo em destaque
As ações da Petrobras PN avançaram 1,65% e as ON subiram 2,25%, impulsionadas pela forte alta no preço do barril de petróleo Brent no mercado internacional, que fechou com ganho de 7,78%, a US$ 109,03. Essa valorização do petróleo, ligada às tensões geopolíticas, favoreceu diretamente as estatais brasileiras. No setor, Prio ON também se destacou com uma valorização de 5,68%.
Apesar do salto no preço do petróleo, a ausência de anúncios sobre reajustes nos preços de combustíveis pela Petrobras impediu um movimento ainda mais robusto nas ações da companhia. Outras empresas do setor, como Petrorecôncavo ON (+0,74%) e Brava Energia ON (+3,28%), também apresentaram ganhos.
Aversão ao risco afeta setor bancário, mas Vale reverte perdas
O setor bancário, por outro lado, sentiu o peso da aversão ao risco. Itaú Unibanco PN fechou em queda de 1,21%, Bradesco PN recuou 1,52% e Banco do Brasil ON perdeu 1,02%. Apesar das quedas, os papéis bancários se afastaram de suas mínimas registradas durante o pregão.
Em contrapartida, a Vale ON conseguiu reverter as perdas iniciais e subiu 0,66%. A mineradora foi influenciada inicialmente pelo viés negativo do exterior e pela queda nos futuros do minério de ferro na China. No entanto, recomendações positivas de analistas do Bank of America, que elevaram a recomendação dos papéis para compra e o preço-alvo para R$ 100, ajudaram na recuperação.
Setor imobiliário e varejo farmacêutico sob pressão
O setor imobiliário apresentou um desempenho negativo, com Cyrela ON recuando 3,51%, mesmo se distanciando de sua mínima. Analistas do JPMorgan cortaram a recomendação e o preço-alvo das ações da construtora. O índice do setor imobiliário como um todo fechou em declínio de 1,65%.
Já a RD Saúde ON registrou sua segunda queda consecutiva, perdendo 3,95%. A empresa havia anunciado na véspera o pagamento de R$ 150,4 milhões em juros sobre capital próprio. A Hapvida ON, por sua vez, avançou 1,34%, em meio a discussões sobre a adoção do processo de voto múltiplo na eleição do conselho de administração, conforme solicitado pela gestora Squadra.
Fluxo estrangeiro e perspectiva de mercado
Apesar da volatilidade, o mercado brasileiro continua atraindo capital estrangeiro. Dados da B3 indicam que março fechou com um saldo positivo de quase R$ 11,7 bilhões em investimentos externos, elevando a entrada líquida no ano para aproximadamente R$ 53,4 bilhões. Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, aponta que a bolsa brasileira experimentou uma acomodação após fortes ganhos recentes, mas que o fato de ter encerrado distante da mínima demonstra uma “alta reprimida”, mantendo o país como destino para investidores estrangeiros.





