{
"title": "Ibovespa Abalado: Bolsa Brasileira Vira em Queda Após Máxima Histórica com Exterior Negativo e Dúvidas Pós-Copom",
"subtitle": "Mercado doméstico reage a dados de emprego e declarações de Haddad, mas sentimento de aversão ao risco em Nova York dita o ritmo da queda.",
"content_html": "<h2>Ibovespa tem dia de montanha-russa: alta expressiva cede lugar a perdas com reflexos do exterior e cautela após decisão do Copom.</h2>n<p>O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, protagonizou uma sessão volátil nesta quinta-feira (29). Após iniciar o dia em forte alta e atingir uma nova máxima histórica intradia, o índice reverteu os ganhos e fechou em queda, refletindo o pessimismo que tomou conta dos mercados internacionais, especialmente em Nova York.</p>n<p>A euforia matinal, impulsionada por um comunicado considerado positivo do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, deu lugar à cautela no decorrer do dia. O mercado digeriu as incertezas globais e realizou lucros, evidenciando a influência do cenário externo nas decisões dos investidores locais.</p>n<p>O índice de referência do mercado acionário brasileiro recuou 0,84%, encerrando o dia aos 183.313,75 pontos. Durante o pregão, o Ibovespa chegou a registrar 186.449,75 pontos, um novo recorde intradiário, mas não conseguiu sustentar o ímpeto. O volume financeiro negociado somou R$ 38,75 bilhões.</p>nn<h3>Copom e a expectativa de corte de juros em março</h3>n<p>Pela manhã, o mercado reagiu bem à decisão do Copom de manter a taxa Selic em 15% ao ano, em linha com as expectativas. O comunicado do Banco Central sinalizou a possibilidade de um corte de juros já em março, mas reforçou a necessidade de manter o **"aperto monetário adequado"** para garantir a convergência da inflação à meta de 3%.</p>n<p>A indicação de flexibilização monetária futura foi um dos motores da alta inicial do Ibovespa. No entanto, a cautela prevaleceu diante da necessidade de observar a evolução do cenário econômico para confirmar o início do ciclo de cortes. O Banco Central enfatizou que a decisão dependerá da confirmação do cenário esperado.</p>nn<h3>Exterior dita o tom: Wall Street em queda impacta bolsa brasileira</h3>n<p>O humor negativo que dominou as bolsas de Nova York, após a divulgação de resultados trimestrais da Microsoft e a avaliação das decisões do Federal Reserve, foi o principal fator de reversão para o Ibovespa. A perda de 11% nas ações da gigante de tecnologia americana pesou sobre o sentimento geral do mercado.</p>n<p>A correlação com o desempenho dos mercados internacionais ficou evidente, com a **aversão ao risco no exterior** contaminando o apetite por ativos brasileiros. A realização de lucros também contribuiu para a queda, dado o forte desempenho recente do índice.</p>nn<h3>Destaques do dia: Petrobras e Vale em alta, bancos em baixa</h3>n<p>A **Petrobras PN** apresentou alta de 0,96%, impulsionada pela valorização do preço do petróleo no mercado internacional, com o Brent fechando em alta de 3,5%. A companhia divulgou que suas reservas provadas cresceram em 2025. Por outro lado, os bancos, como o **BTG Pactual Unit**, que recuou 2,01%, pressionaram o índice para baixo, com outros grandes bancos também registrando perdas.</p>n<p>A **Vale ON** também contribuiu positivamente, com alta de 0,51%, acompanhando o avanço dos contratos futuros do minério de ferro. Ações de empresas ligadas ao setor de energia, como **Prio ON**, que avançou 2%, também se destacaram positivamente, em sintonia com o petróleo. A estreia do **PicPay** na Nasdaq foi marcada por volatilidade, fechando estável após oscilar positivamente.</p>nn<h3>Cenário doméstico: Caged e a saída de Haddad</h3>n<p>No cenário doméstico, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostraram a criação de 618.164 vagas formais em dezembro, e um saldo positivo acumulado de 1.279.498 vagas em 2025, superando as expectativas dos economistas. Outro ponto de atenção foi a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao portal Metrópoles, em que ele reafirmou que deixará o governo em fevereiro.</p>n<p>A declaração de Haddad adicionou uma camada de incerteza política ao já complexo cenário econômico. A saída de um membro chave da equipe econômica pode gerar novas especulações sobre a condução das políticas fiscais e econômicas do país nos próximos meses, aumentando a cautela entre os investidores.</p>"
}