Ibovespa fecha em alta blindado por Itaú e B3; Bradesco recua após previsões frustrarem
O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira (6) em território positivo, registrando uma alta de 0,45% e alcançando os 182.949,78 pontos. A performance foi impulsionada principalmente pela força das ações do Itaú Unibanco e da B3, a bolsa brasileira. No entanto, o dia foi marcado também pela forte queda dos papéis do Bradesco, cujas previsões para o ano não atenderam às expectativas do mercado.
Em um pregão volátil, o índice oscilou entre a máxima de 183.262,07 e a mínima de 181.390,73 pontos, com um volume financeiro expressivo de R$ 30,1 bilhões. A semana, de modo geral, foi positiva para o Ibovespa, que acumulou uma alta de 0,87%.
Segundo Christian Iarussi, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital, o mercado brasileiro vivenciou um dia de contrastes. A melhora em Wall Street e o fluxo de capital estrangeiro foram fatores de suporte, mas foram parcialmente ofuscados pela queda nos preços do minério de ferro e pelos resultados divulgados pelo Bradesco.
Iarussi observa que, no curto prazo, o mercado brasileiro continua a se beneficiar da entrada de capital externo. Essa tendência deve persistir, atraída por preços considerados atrativos no Brasil e pela migração global para mercados emergentes, além da expectativa de futuras quedas na taxa Selic.
Destaques do Mercado: Bancos e Bolsa Lideram Alta, Enquanto Bradesco Sofre
As ações do Itaú Unibanco PN apresentaram uma valorização de 2,7%, impulsionadas pela repercussão positiva dos resultados do final de 2025 e das projeções para 2026 divulgadas na noite de quarta-feira. O BTG Pactual Unit, que divulgará seu balanço na segunda-feira, também fechou em alta, com ganho de 2,19%.
Em contrapartida, o Banco do Brasil ON caiu 0,45%, enquanto o Santander Brasil Unit, que já havia divulgado seus resultados, cedeu 1,74%. O grande destaque negativo do setor bancário foi o Bradesco PN, que recuou 2,55%.
O Bradesco reportou um lucro de R$ 6,5 bilhões no quarto trimestre de 2023, em linha com o esperado. Contudo, as previsões do banco para 2026 ficaram abaixo das estimativas de analistas, sugerindo uma recuperação mais lenta da rentabilidade, o que pesou sobre as ações.
B3 Brilha com Recomendação de Analistas e Perspectivas de IPOs
A B3 ON se destacou com uma alta expressiva de 4,8%. A performance foi endossada por um relatório do UBS BB, que elevou a recomendação das ações para compra e ajustou o preço-alvo de R$ 16 para R$ 19,50, citando uma perspectiva de aumento nas receitas.
Adicionalmente, o presidente-executivo da B3 sinalizou a retomada das ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) no mercado brasileiro ainda este ano, um fator que historicamente impulsiona o desempenho da bolsa.
Mineração e Petróleo em Baixa: Vale e Petrobras Registram Quedas
No setor de mineração, a Vale ON cedeu 0,95%, seguindo a tendência de queda nos futuros do minério de ferro na China. A empresa enfrenta desafios legais, com a Justiça de Minas Gerais negando o bloqueio de R$ 1 bilhão em uma ação relacionada a extravasamento em mina.
A Petrobras PN também registrou queda de 0,95%, descolando do avanço do petróleo no exterior. Notícias recentes incluem a possível autuação do Ibama por vazamento de fluido na Foz do Amazonas e a aquisição de participação em um bloco de exploração na Namíbia.
Construtoras em Alta: Juros em Queda Impulsionam o Setor Imobiliário
O setor de construção civil mostrou fôlego, com Direcional ON avançando 6,9% e Cury ON subindo 4,65%. Iarussi, da The Hill Capital, atribui esse desempenho a um ambiente mais favorável para o setor imobiliário, com as perspectivas de queda de juros melhorando as condições de financiamento e aumentando a atratividade do crédito imobiliário.
O índice do setor imobiliário da B3 refletiu essa tendência positiva, com uma alta de 1,47%. A melhora nas condições de financiamento tende a reforçar o apetite por ações de construtoras.




