Ibovespa Dispara Acima dos 177 Mil Pontos Após Fed Aliviar Tensões e Selic Ganhar Aposta de Queda

Ibovespa retoma força e supera os 177 mil pontos com otimismo renovado após Fed e expectativas de juros mais baixos no Brasil.

O Ibovespa fechou em alta firme nesta quinta-feira (30), recuperando as perdas do dia anterior e voltando a ultrapassar os 177 mil pontos. A melhora geral no sentimento de risco nos mercados globais impulsionou o índice, com relatos de retomada do fluxo de compras por investidores estrangeiros. Essa movimentação favoreceu as ações de grandes empresas (blue chips) e contribuiu para o fortalecimento da moeda brasileira, o real.

O apetite ao risco global não apenas enfraqueceu o dólar frente a outras moedas, mas também estimulou o avanço das bolsas na Europa e em Nova York, contagiando o mercado brasileiro. Em Nova York, o Dow Jones encerrou com alta de 1,19%, o S&P 500 valorizou 1,67% e o Nasdaq subiu 2,78%.

Segundo Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, os mercados experimentaram um alívio nas preocupações com um aperto monetário mais agressivo por parte do Federal Reserve (Fed). Isso ocorreu após a divulgação do índice de preços dos gastos com consumo (PCE) de junho nos Estados Unidos, que veio em linha com as previsões.

“A mesma coisa que derrubou os índices ontem hoje ajudou”, comentou Veronese, lembrando que no dia anterior, o discurso do presidente do Fed e votos dissidentes por um aumento de juros trouxeram cautela. Ela pondera que, embora um único dado de inflação não dissipe todas as preocupações, ele trouxe alguma tranquilidade ao indicar que o Fed pode não ser tão rigoroso. “Não é que o cenário lá está tranquilo, mas foi um bom dia seguinte.”

Expectativas de Queda da Selic Impulsionam Ações Cíclicas

No Brasil, o mercado amplia as apostas na queda da taxa Selic a partir de dados de inflação mais favoráveis, o que tem beneficiado especialmente as ações cíclicas. Empresas como Cogna ON (+5,48%), Magalu ON (+5,46%) e Cury ON (+5,37%) figuraram entre as maiores altas do dia.

Após a divulgação do IPCA-15 de julho na terça-feira, o mercado recebeu outra notícia positiva sobre a inflação com a queda de 1,16% do IGP-M de julho, um recuo mais acentuado do que o esperado. A economista destacou que “Não há dúvida de que a Selic vai cair na semana que vem”, reforçando a confiança em um corte iminente.

Fluxo Estrangeiro e Commodities Beneficiados pela Melhora no Cenário

A melhora nas expectativas para as taxas de juros, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, atraiu fluxo de capital para os principais componentes do Ibovespa, incluindo os setores de commodities e financeiro. Veronese ressalta que essa conjuntura favoreceu a recuperação de papéis que haviam sofrido no dia anterior.

Os bancos, que ontem foram responsáveis por grande parte das perdas do índice, com destaque para o tombo das Units do Santander, mostraram recuperação. Itaú Unibanco PN subiu 2,20% e BB ON avançou 1,97%, refletindo o cenário mais otimista.

Petrobras e Vale Contribuem para a Alta do Índice

Os papéis ligados a commodities também registraram avanços significativos, ajudando a sustentar a trajetória positiva da Bolsa. Petrobras ON e PN fecharam em alta de 2,19% e 2,00%, respectivamente. Essa valorização ocorreu mesmo com a queda nos preços do petróleo, impulsionada não apenas pelo fluxo externo, mas também pela perspectiva favorável de exploração no campo de Morpho, na bacia da Foz do Amazonas.

A Vale ON subiu 1,39%, conseguindo superar a queda nos preços do minério de ferro e a influência negativa do balanço da mineradora Rio Tinto, que seria divulgado após o fechamento do mercado. O Ibovespa encerrou o dia com uma alta expressiva de 1,88%, atingindo 177.158,86 pontos em seu fechamento.

Na semana, o Ibovespa acumula um avanço de 1,79%, e em julho, a alta é de 2,98%. O giro financeiro da Bolsa nesta quinta-feira foi de R$ 22,7 bilhões, demonstrando a forte atividade do mercado. As informações foram divulgadas pela Agência Estadão.

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