Ibovespa despenca 7,22% em maio: pior mês desde fevereiro de 2023, saiba o que causou a queda e o que esperar - Brasa Noticias

Ibovespa despenca 7,22% em maio: pior mês desde fevereiro de 2023, saiba o que causou a queda e o que esperar

Ibovespa sofre a maior queda mensal desde fevereiro de 2023, perdendo 7,22% em maio

O Ibovespa encerrou o mês de maio com um desempenho negativo de 7,22%, marcando o pior resultado desde fevereiro de 2023. Essa desvalorização reduz significativamente o ganho acumulado no ano, que agora se encontra em 7,86%, bem abaixo dos 23,29% registrados em 14 de abril, quando o índice renovava máximas.

Na última sexta-feira (29), o índice oscilou entre a mínima de 172.686,36 pontos, o menor nível intradiário desde janeiro, e a máxima de 175.064,44 pontos. Ao final do pregão, o Ibovespa fechou em 173.787,49 pontos, com uma queda de 0,73%, registrando o menor patamar de fechamento desde 21 de janeiro. O volume financeiro foi expressivo, somando R$ 46,7 bilhões, e o índice amargou a quarta sessão consecutiva de perdas, totalizando uma retração de 1,37% na semana.

Esta foi a sétima semana negativa para o Ibovespa, iniciando uma sequência após a série de recordes atingida em meados de abril. Desde 15 de abril, foram 31 sessões, e o índice apresentou alta em apenas nove delas, ou seja, em menos de um terço do período. Maio também marcou a terceira perda mensal consecutiva, encerrando a sequência de altas que vigorava desde agosto do ano anterior até fevereiro.

Reversão do Fluxo Estrangeiro e Mudanças Globais

Parte significativa da recuperação anterior do Ibovespa foi impulsionada pela rotação global de ativos, especialmente com o setor de tecnologia dos Estados Unidos perdendo força. Agora, observa-se uma reversão desse movimento, com o capital estrangeiro migrando não apenas de volta para Nova York, mas também para outros mercados com forte exposição à tecnologia, como Seul.

A tendência que favorecia os mercados emergentes perdeu fôlego. Embora o Ibovespa tenha demonstrado resiliência inicial devido à força de Petrobras e do setor de energia e commodities, o índice agora revela maior vulnerabilidade às mudanças na direção do capital estrangeiro, que foi crucial para a série de recordes anteriores.

Em contraste, os índices americanos como Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq voltaram a registrar novas máximas. Na sessão de sexta-feira, eles subiram 0,72%, 0,22% e 0,20%, respectivamente, com o Nasdaq acumulando ganhos de até 8,36% no mês. O S&P 500, por sua vez, avançou 5,15% em maio.

Incertezas Geopolíticas e o Preço do Petróleo

A analista de renda variável da Rico, Bruna Sene, destaca que, enquanto nas semanas anteriores o mercado oscilava entre esperança e frustração com as negociações no Oriente Médio, a situação se intensificou. Com o conflito completando três meses sem uma resolução definitiva, o mercado começa a precificar de forma mais clara a possibilidade de um cenário de incerteza prolongada.

Nesse contexto de uma relativa “normalização” da incerteza geopolítica, as últimas sessões da semana foram influenciadas pela percepção de que Estados Unidos e Irã poderiam estar mais próximos de um entendimento preliminar. Isso resultou em uma descompressão nos preços do petróleo, com o Brent caindo 17,4% e o WTI 16,8% no mês.

O dólar fechou maio cotado a R$ 5,04, uma alta de quase 10 centavos em relação ao fim de abril. Nesse cenário, o Ibovespa, saindo de cerca de 187 mil pontos para 173 mil pontos, desvalorizou em dólar de 37.821,31 pontos para 34.461,81 pontos.

Juros e o Cenário Econômico Brasileiro

Rachel de Sá, estrategista de investimentos do Research da XP, aponta que a semana foi marcada por muita volatilidade em relação às expectativas de acordos geopolíticos. Ela observa que uma “normalização rápida não vai acontecer”, o que o mercado já começa a precificar. Mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, levará tempo para que as coisas voltem à normalidade pré-conflito.

As altas de juros também começam a ser precificadas, em decorrência das pressões inflacionárias derivadas do choque de oferta no petróleo. Apesar de o dado do PIB do primeiro trimestre no Brasil ter vindo forte, ele já pode ser considerado como informação do passado, segundo a estrategista.

Rachel destaca a resiliência do setor de serviços e uma retomada do protagonismo do consumo das famílias, refletindo um mercado de trabalho com baixa taxa de desocupação, mesmo com o enfraquecimento nos dados do Caged de abril. O tom do Copom em relação à política monetária deve permanecer cauteloso nas próximas reuniões, com reflexos na curva de juros.

Outros Fatores de Influência

A classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelo governo dos EUA representa mais um fator de “ruído” com consequências domésticas. Essa questão, assim como a disputa eleitoral de outubro, continuará sendo monitorada de perto pelo mercado, segundo Rachel de Sá.

Na B3, as ações dos maiores bancos apresentaram variações mistas. Dentre os principais segmentos, o metálico concentrou as maiores perdas da sessão. A Vale ON caiu 1,36% no dia, mas ainda acumula alta de 15,09% no ano. Petrobras ON e PN cederam 1,70% e 1,20%, respectivamente, pressionadas pela correção do petróleo, com recuos de 14,62% e 14,43% em maio, embora ainda apresentem altas expressivas no ano.

Na ponta positiva do Ibovespa na sessão, destacaram-se Totvs (+4,16%), Usiminas (+4,04%) e Eneva (+2,52%). Na contramão, Minerva (-7,05%), Braskem (-6,02%) e Magazine Luiza (-5,83%) figuraram entre as maiores quedas.

Perspectivas para a Próxima Semana

As apostas majoritárias de valorização do Ibovespa para a semana seguinte reapareceram após seis semanas. Na pesquisa mais recente, 57,14% dos agentes de mercado esperam alta para o período de 1º a 5 de junho, enquanto 28,57% projetam queda e 14,29% preveem estabilidade.

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Welbert Lucas de Oliveira
Welbert Lucas de Oliveira

Welbert Lucas é um talentoso redator do site Brasa Noticias, apaixonado por filmes, games e cultura pop. Sua paixão por esses temas transparece em seu trabalho, onde ele combina sua habilidade de escrita com seu vasto conhecimento dessas áreas. Com uma escrita envolvente e criativa, Welbert é capaz de transportar os leitores para universos cinematográficos, aventuras virtuais e cenários cheios de referências culturais. Além de seu talento como redator, ele é um verdadeiro entusiasta, sempre atualizado sobre as últimas novidades da indústria do entretenimento. Seja através de críticas cinematográficas, análises de jogos ou artigos sobre cultura pop, Welbert Lucas oferece conteúdo de qualidade que entretém e informa os leitores do Brasa Noticias de forma única e apaixonante.

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