Dólar Dispara em Maio: Ruído Político e Juros Globais Pressionam Real, Mas Ano Ainda é Positivo

Dólar avança 1,82% em maio com ruído político e alta de juros globais

O dólar encerrou o mês de maio com uma valorização de 1,82%, revertendo parte dos ganhos do real nos meses anteriores. A divisa americana fechou a sexta-feira (29) cotada a R$ 5,0429, registrando um avanço de 0,22% no dia. Essa oscilação reflete um cenário complexo, marcado por fatores internos e externos que impactaram a moeda brasileira.

A decisão do governo americano de classificar grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas, embora não tenha tido impacto imediato significativo na taxa de câmbio, adicionou um elemento de incerteza. Operadores do mercado avaliam que o aumento dos ruídos políticos e a possível influência dessa decisão no cenário eleitoral podem intensificar a volatilidade e pressionar o real no curto prazo.

Após uma queda de 4,36% em abril, o desempenho do dólar em maio contrasta com o acumulado no ano. No total de 2022, o real ainda apresenta uma valorização de 8,13% frente ao dólar, configurando-se como uma das divisas com melhor desempenho global. Esse cenário favorável é impulsionado pelo diferencial de juros e pela alta nos preços do petróleo, que melhoram os termos de troca do Brasil.

Juros Globais e Inflação: Os Principais Motores da Valorização do Dólar em Maio

Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Pine, atribui a depreciação do real em maio principalmente a uma reprecificação das taxas de juros globais. Leituras elevadas de inflação ao produtor em diversos países, especialmente nos Estados Unidos, em decorrência do choque nos preços de energia, levaram os bancos centrais a sinalizar ou implementar aumentos nas taxas de juros.

“Tivemos também fluxo cambial negativo e um pequeno aumento da volatilidade em razão da questão eleitoral”, afirma Oliveira. Ele ressalta que, embora os investidores estrangeiros deem menos peso à corrida presidencial do que os locais, o cenário de incerteza política interna não ofereceu um incentivo adicional para a entrada de capital no Brasil.

Desempenho do Dólar Global e o Impacto dos Juros Americanos

O índice DXY, que mede o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, operou em leve queda ao longo do pregão, recuando 0,12% e encerrando maio com um avanço de pouco mais de 0,80%. No entanto, a alta das taxas dos Treasuries americanos, impulsionada por dados econômicos fortes e o apetite por ações de tecnologia, atraiu capital para os Estados Unidos, ajudando a manter o dólar relativamente valorizado globalmente.

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, destaca que os Estados Unidos estão em uma posição mais favorável para lidar com os efeitos da guerra na Ucrânia em comparação com a Europa, o que também contribui para a força do dólar.

Petróleo em Queda e Perspectivas para o Câmbio

As cotações do petróleo recuaram na expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã, que poderia normalizar o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz. O contrato do Brent chegou a operar abaixo de US$ 90 por barril, acumulando uma baixa de mais de 16% no mês.

Oliveira, do Pine, considera que houve exagero nas previsões de um recuo acentuado da taxa de câmbio para níveis entre R$ 4,50 e R$ 4,60. Ele argumenta que, embora o Brasil seja beneficiado pela alta do petróleo por ser exportador líquido, essa vantagem já era considerada antes do conflito. “Nossos modelos de curto prazo mostram o real muito bem precificado nos níveis atuais, com a taxa de câmbio oscilando entre R$ 5,03 e R$ 5,04”, conclui. Conforme informação divulgada pela Estadão Conteúdo, o dólar encerrou maio com ganhos de 1,82%.

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