Risco geopolítico no Oriente Médio e a escalada do preço do petróleo levam Ibovespa à maior queda semanal desde 2022, com cenário de incertezas globais.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou a semana com uma expressiva desvalorização de 4,99%, marcando o pior desempenho semanal desde novembro de 2022. A forte queda é reflexo do aumento da tensão geopolítica no Oriente Médio, que gerou um ambiente de aversão ao risco nos mercados internacionais e impulsionou os preços do petróleo.
O conflito no Oriente Médio, que se intensificou com declarações do presidente americano Donald Trump exigindo a “rendição incondicional” do Irã, paralisou o transporte marítimo em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz. Essa situação elevou o preço do barril de petróleo Brent, que fechou em alta de 8,5% na sexta-feira, a US$ 92,69.
A instabilidade global também afetou as bolsas americanas, com o S&P 500 registrando queda de 1,33% em meio a dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos que indicaram fechamento de postos e aumento do desemprego. A repercussão desses fatores externos pesou sobre o desempenho do Ibovespa, que fechou em queda de 0,61% na sexta-feira, a 179.364,82 pontos, com volume financeiro de R$ 32,58 bilhões. As informações foram divulgadas pela Reuters.
Petrobras na contramão: ações disparam com alta do petróleo e resultados positivos
Em meio ao cenário de desvalorização, as ações da Petrobras PN apresentaram um desempenho notável, com alta de 3,49%. O forte avanço foi impulsionado tanto pela disparada do preço do petróleo no mercado internacional quanto pela repercussão dos resultados financeiros da estatal. A companhia divulgou um fluxo de caixa livre de R$ 19,34 bilhões no último trimestre de 2025 e anunciou uma proposta de remuneração aos acionistas de R$ 8,1 bilhões.
Executivos da Petrobras indicaram a possibilidade de distribuição de dividendos extraordinários neste ano, caso o fluxo de caixa se mantenha em patamares elevados. Essa perspectiva animou os investidores e contribuiu para a valorização das ações da empresa, que também viu outras companhias ligadas ao setor de óleo e gás, como Prio ON (+4,27%) e Petrorecôncavo ON (+0,16%), se beneficiarem do movimento do mercado.
Setor bancário e Vale sofrem com aversão ao risco e desvalorização em série
O setor financeiro foi um dos mais afetados pela aversão ao risco. Bancos como Itaú Unibanco PN recuaram 1,33%, Bradesco PN perdeu 1,41%, Banco do Brasil ON cedeu 1%, Santander Brasil Unit caiu 2,51%, e BTG Pactual Unit fechou em baixa de 2,01%. A incerteza no cenário externo impactou diretamente os resultados e as perspectivas dessas instituições.
A Vale ON, por sua vez, acumulou seu sétimo pregão consecutivo de queda, perdendo 2,99% nesta sexta-feira. A mineradora operou descolada do movimento dos futuros de minério de ferro, que apresentaram alta na China. A desvalorização contínua da Vale tem sido um ponto de atenção para os investidores.
Embraer e Vamos registram quedas expressivas após divulgação de resultados e planos
A Embraer ON fechou em queda de 8,05%, apesar de ter divulgado um lucro líquido ajustado de R$ 832 milhões no quarto trimestre de 2025. As projeções para 2026, que incluem receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, ficaram ligeiramente abaixo das expectativas do mercado. A fabricante de aviões também previu entregas de 80 a 85 aeronaves comerciais em 2026.
A VAMOS ON também sofreu uma forte desvalorização, caindo 7,24%. A queda ocorreu um dia após a controladora Simpar anunciar um aumento de capital que envolve a própria holding e outras controladas, com o BNDESPar como investidor âncora. A operação inclui a Vamos, Movida e a JSL, cujas ações também apresentaram quedas significativas.
Ajuste nos horários de negociação da B3 com início do horário de verão nos EUA e Europa
A partir de segunda-feira, os horários de negociação na B3 serão ajustados devido ao início do horário de verão nos Estados Unidos (08/03/2026), Alemanha e Inglaterra (29/03/2026). O call de fechamento do mercado de ações à vista ocorrerá das 16h55 às 17h, uma mudança que pode impactar a dinâmica das operações nos próximos dias.
A conjuntura atual, marcada pela volatilidade e incertezas, exige atenção redobrada dos investidores. A busca por informações claras e confiáveis torna-se ainda mais crucial para a tomada de decisões em um cenário de mercado em constante mutação, conforme noticiado pela Reuters.





