Ibovespa Derrete no 2º Trimestre: Cautela de Estrangeiros e Fiscal Pressionam Bolsa Brasileira Rumo a Queda de 8,31%

Ibovespa acumula perdas expressivas no segundo trimestre, refletindo a desconfiança do mercado internacional e preocupações fiscais internas.

A Bolsa brasileira, representada pelo Ibovespa, encerrou o segundo trimestre de 2026 com uma desvalorização de 8,31%, demonstrando a dificuldade do mercado em sustentar uma trajetória de alta. A performance negativa contrasta com o desempenho positivo de mercados internacionais, como o de Wall Street, evidenciando fatores específicos que afetam o Brasil.

A ausência de um fluxo robusto de capital estrangeiro e a persistente preocupação com o quadro fiscal do país são apontados como os principais vilões por trás da queda. Esses elementos criam um ambiente de incerteza, levando investidores a adotarem uma postura mais cautelosa em relação aos ativos brasileiros.

O cenário recente, com o Ibovespa oscilando e recuperando níveis importantes como os 172 mil pontos, foi impulsionado por dados econômicos que reforçam a desaceleração da inflação, como o Caged de maio. No entanto, esses fatores positivos não foram suficientes para reverter o quadro geral de desconfiança, como informado pela Agência Estadão.

Fluxo Estrangeiro em Baixa e Dificuldade na Narrativa Positiva

Especialistas em renda variável apontam o fluxo estrangeiro como um dos principais pesos sobre a Bolsa brasileira. Felipe Cima, especialista da Manchester Investimentos, destaca a dificuldade em construir uma narrativa positiva para os ativos nacionais, levando o investidor estrangeiro a um “compasso de espera”, conforme declarado à Agência Estadão.

Os números corroboram essa visão. Somente em junho, até o dia 26, houve uma retirada líquida de R$ 8,754 bilhões por parte de investidores estrangeiros. Apesar disso, o fluxo acumulado no ano ainda se mantém positivo, em R$ 32,879 bilhões, mas a tendência recente de saída preocupa.

Incertezas Fiscais e o Impacto na Selic

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, ressalta que a falta de retomada do capital estrangeiro e as incertezas sobre a extensão do ciclo de cortes da Selic dificultam a sustentação de altas mais consistentes para o Ibovespa, mesmo em um cenário internacional mais favorável.

A piora no quadro fiscal do Brasil também é um fator que contribui para a cautela do mercado. A expectativa é que as eleições se tornem cada vez mais centrais no debate econômico, aumentando a incerteza sobre os rumos futuros das políticas públicas. “Há cautela com como serão as coisas daqui para frente”, avalia Cima.

Nesta terça-feira, o Banco Central divulgou que o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 56,131 bilhões em maio, um resultado pior do que o esperado e que eleva a dívida pública a níveis não vistos desde 2021, segundo análise da XP.

Dados Econômicos e Perspectivas para a Selic

Em contrapartida, a criação de 72.960 vagas formais de trabalho em maio, divulgada pelo Caged, ficou abaixo das expectativas, reforçando a visão de continuidade no ciclo de cortes da taxa Selic. André Valério, economista sênior do Inter, vê essa desaceleração como um sinal para a manutenção do ritmo de calibragem da taxa básica de juros.

O Banco Inter projeta que a taxa Selic alcance 13,25% ao ano em dezembro, com cortes de 0,25 ponto porcentual nas próximas reuniões, beneficiada por fatores como a estabilização do preço do petróleo e a desvalorização do dólar.

Impacto nos Preços e Inflação

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a destinação de R$ 872,1 milhões como “Bônus de Itaipu”, a ser repassado aos consumidores elegíveis em agosto de 2026, o que pode ter um efeito positivo nos custos de energia. Contudo, a Aneel também aprovou um aumento médio de 10,18% na conta de luz para consumidores da Enel São Paulo, com previsão de impacto de 0,05 ponto percentual na inflação anual.

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